Londrina - Cerca de 600 professores e funcionários da rede estadual de ensino participaram do protesto ontem no Calçadão. ''Nós cobramos respeito pela categoria. Temos na pauta 37 reivindicações, mas a principal é a implantação do piso nacional profissional'', explicou o presidente da APP Sindicato-Londrina, Antônio Marcos Rodrigues Gonçalves.
Para Nara Regina Pascoalino Costa, funcionária do Colégio Estadual Professora Rina Maria de Jesus Francovig (Zona Sul), o que se espera é que o governo incentive a formação superior desses profissionais, ''através de bolsas de estudo ou programas que nos permitam ter tempo para estudar''.
A pedagoga do Colégio Estadual Professora Olympia Morais de Tormenta, Isabel Sales, que também é professora em uma turma de deficientes visuais na Escola Estadual Professora Lucia Barros, ambas na zona Norte, diz que a profissão precisa de valorização, tanto em termos salariais quanto em assistência social e formação continuada. ''Essa é uma das funções mais nobres e necessárias que existe. Porém, o que tem nos motivado é apenas esse sentimento. É muito importante que a comunidade saiba que nós estamos na luta por melhores condições'', destacou.
Cerca de 90 professores e funcionários de Londrina e região engrossaram a manifestação ontem no Centro de Curitiba.
O professor de história e membro do Conselho Estadual de Educação, Arnaldo Vicente, de 46 anos, se dedica à educação há mais de 20 anos. Ele, que sempre participa dos atos públicos da categoria, relembra o dia 30 de agosto de 1988, data histórica para os professores do Estado. ''Eu estava naquele ato. Ele foi organizado pela sociedade civil e contou com mais de 10 mil professores, apoiadores e alunos. Quando a passeata chegou em frente ao Palácio Iguaçu, a polícia não nos deixou passar e o conflito começou. Nós reivindicávamos na época o piso de três salários mínimos, que foi cortado pelo governo Alvaro Dias'', relembrou.
Hoje, 23 anos após essa repressão, a categoria continua a cobrar o respeito à educação e ao trabalho dos professores e funcionários. ''O volume de recursos na área da educação mudou muito pouco. Hoje não temos mais carência de vagas, mas de qualidade'', afirmou.

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