Para o presidente da organização Dom da Terra, Márcio Marins, que trabalha no enfrentamento ao racismo e à homofobia, as conquistas do movimento LGBT (de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais), somadas ao avanço da Medicina, possibilitaram que os jovens tivessem hoje muito mais liberdade para falar sobre a aids. ''Eu tenho mais de 20 anos de movimento social e digo que sou o jovem de ontem que conviveu com o estigma do HIV. Sou negativo, mas conheço muitas pessoas positivas e passei por todo aquele período onde, de maneira errada, a aids foi apelidada pela sociedade de câncer gay. Nós trabalhamos até hoje no enfrentamento ao vírus para que o estigma seja cada vez menor'', conta.
De acordo com ele, o diagnóstico precoce e as possibilidades de tratamento, com os antirretrovirais, já permitem que as pessoas convivam com o HIV por um tempo indeterminado. ''É um conjunto de vários fatores que fazem com que a juventude de hoje assuma suas questões e seja protagonista de suas próprias ações. É claro que cada organismo responde de um jeito. Mas a pessoa pode viver bem por muitos e muitos anos''.
No Dom da Terra, o projeto ''Rompendo o Silêncio'' também tem levado informações sobre aids e outras doenças sexualmente transmissíveis aos jovens. Destinada a surdos e surdas LGBT, a iniciativa acontece por meio de um convênio com o Governo do Estado. ''Não existiam no Paraná materiais específicos para esse segmento da população. Nós temos uma equipe de fonoaudiólogos com um grupo de surdos LGBT que desenvolve cartazes, folderes e uma cartilha sobre HIV, aids e prevenção. A produção acontece a partir do próprio sujeito, ou seja, não somos nós, ouvintes, que desenvolvemos'', explica Marins. (M.F.R.)

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