Luta indígena sonha com vitórias
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de janeiro de 2001
France Presse Do Rio 
Ano novo, velhos desafios: os mais de 220 povos indígenas brasileiros seguirão lutando no terceiro milênio segundo a cronologia dos brancos pela demarcação de suas terras e pelo respeito a sua cultura, mas confiam em conquistar seus direitos para viver dignamente como cidadãos.
O final do século XX marcou o nascimento da consciência indígena: representantes dos 330.000 índios brasileiros foram capazes de se organizar e reunir para reivindicar terra, respeito e dignidade por causa dos 500 anos da chegada dos portugueses no país.
Além disso, pela primeira vez 90 indígenas foram eleitos nas eleições municipais e pediram ao governo brasileiro as liberdades que os outros cidadãos desfrutam. Nosso maior desafio neste novo milênio será garantir nossas terras e defendê-las dos invasores. Quem invade uma terra indígena não só toma o solo, mas sim, todo seu poder para transformá-la em um valor de mercado, declara Marcos Terena, membro da Fundação Nacional do Indio (Funai).
Segundo organizações indígenas, existem 739 reservas no país, que no total ocupam mais de um milhão de quilômetros quadrados e 12,26% do território nacional. Somente a metade delas foram demarcadas até agora, apesar da Constituição Brasileira de 1988 ter previsto que em 1993 todas as áreas estariam registradas.
Segundo o Conselho Indígena Missionário (Cimi, ligado à Igreja Católica), nos próximos anos a situação mais alarmante vai acontecer na Amazônia, onde os índios terão que defender sua terra da avidez dos madeireros, caçadores de ouro, pastores de igreja ou biólogos ansiosos por roubar seus tesouros naturais e poções medicinais. No centro do país, principalmente no Estado do Mato Grosso, a maior ameaça serão os latifundiários que consideram as reservas indígenas parte de suas propriedades.
No caso das dezenas de índios da Amazônia que ainda não tiveram contato com o homem branco, o grande desafio da Funai será localizá-los e defendê-los, de preferência sem estabelecer contato com eles, da crescente ocupação da selva que os faz correr um sério risco, segundo declararam dirigentes da Fundação na sexta-feira.
Junto a suas terras, os primeiros habitantes do Brasil deverão fortalecer sua identidade étnica sem que fiquem isolados dentro da sociedade brasileira, além de trabalharem para conseguir um crescimento econômico sustentado em suas comunidades. Nós fomos ricos porque vivíamos sem fome nem violência, mas ficamos pobres, miseráveis e dependentes de nossos colonizadores, lamenta Marcos Terena.


