Luta é para melhorar diagnósticos
Londrina - Assim como aumenta a cada dia o número de pacientes com câncer nos hospitais especializados, são crescentes as perspectivas de atendimento e cura. A primeira oncologista pediátrica de Londrina e professora do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Tania Hissa Anegawa, lembra que há uma década o Hospital do Câncer (HCL) possuía quatro leitos para atendimento de crianças. Hoje são 20, além dos atendimentos feitos no Hospital Universitário (HU). "Só o HCL atende atualmente cerca de 800 crianças e adolescentes. Já no HU são mais de 300 sendo acompanhados."
Segundo a médica, se antes as perspectivas eram de encontrar um sobrevivente de câncer a cada mil crianças e jovens, hoje a média é de um sobrevivente de câncer para cada 250 crianças e jovens. "O percentual de cura atualmente é de 78%. Há muitos jovens que sobreviveram à doença e levam uma vida normal hoje em dia. O que batalhamos agora é para melhorar os diagnósticos e torná-los cada vez mais precoces. Só assim poderemos nos aproximar dos índices de países desenvolvidos", defende a oncologista.
Foi justamente este olhar mais atento que faltou no caso de Nicole Luzia, de 11 anos, que está em tratamento no HCL para vencer a leucemia. A garota começou a apresentar sintomas em janeiro deste ano, mas só o oitavo médico procurado pediu um hemograma e percebeu que havia sinais de uma doença grave, encaminhando-a para um hospital de alta complexidade. Todos os outros fizeram diagnósticos de inflamação de garganta e virose, apesar da febre alta que não cessava, dores abdominais intensas, dor na cabeça e nas juntas, vômito e hematomas pelo corpo.
"Depois de vários dias tomando antibióticos e nenhuma melhora, a levei novamente ao médico e, apesar da febre que só aumentava, ele continuou insistindo que era só uma dor de garganta e receitou remédios mais fortes. No quinto médico que eu levei, a Nicole estava tão pálida que ele chegou a brincar, dizendo que ela estava parecendo o Gasparzinho, e disse que o que ela tinha era uma virose", relata a mãe da garota, a assistente técnica de fábrica de móveis Adriana Cristina Luzia.
Após 10 dias levando a filha de um lado para outro e percebendo a gravidade de seu estado de saúde, ela conseguiu atendimento em um hospital de Arapongas (Região Metropolitana de Londrina), onde a família mora, e implorou ao médico que exames laboratoriais fossem feitos em sua filha. O profissional acreditava tratar-se de um caso de apendicite, mas concordou em pedir um hemograma. Só diante do resultado é que Nicole começou a receber a atenção e os cuidados necessários para o seu quadro clínico. "Viemos para o HU (de Londrina) de ambulância e quando chegamos já havia uma equipe nos aguardando. Mais uns dois dias sem tratamento e minha filha não teria resistido", acredita Adriana.
Para a assistente técnica, os médicos falharam no diagnóstico de Nicole. "Faltou uma atenção maior. A gente percebe que os casos de câncer estão se alastrando. É uma doença que tem cura, mas tem que ser diagnosticada logo. Se não fosse por minha insistência, talvez minha filha não estivesse mais aqui", reforça.(S.L.)
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