Londrina - Com um número cada vez maior de dependentes de crack, Londrina e municípios da região enfrentam a burocracia dos órgãos públicos para expandir a rede de atendimento. Beneficiados pelo Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, desenvolvido pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e Ministério da Saúde, cinco instituições de Londrina, Rolândia (Norte) e Maringá (Noroeste) aguardam, juntas, a liberação de R$ 672 mil para a ampliação do número de leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O dinheiro foi liberado em abril pelo governo federal e repassado aos municípios para custear o tratamento durante um ano, mas até agora não chegou às comunidades terapêuticas.
Mais do que causar indignação a quem está à frente dos centros de recuperação, a demora posterga a busca de uma nova vida por famílias desestruturadas pela droga. Todas as entidades ouvidas pela reportagem confirmam que a demanda de atendimento a dependentes da droga aumenta a cada dia e atinge todas as classes sociais, mas se vêem impotentes diante da falta de recursos. A FOLHA não conseguiu confirmar com a coordenação do Centro de Atenção Psico-social Álcool e Drogas (Caps-AD) de Londrina qual o número de pessoas que aguardam uma vaga para tratamento no município.
O pastor Urias França Junior, responsável pela gestão administrativo-financeira do Centro de Assistência e Recuperação de Vidas Morada de Deus, em Londrina, diz estar preocupado com a demora na liberação dos recursos. A instituição administrada por ele é a que incorporará mais leitos na cidade com os recursos repassados pelo Ministério da Saúde e Senad. Serão mais 20 leitos, totalizando um repasse de R$ 16 mil por mês (R$ 800 por leito). ''Nós já temos um convênio com a prefeitura. Não dá para entender o motivo desta demora para aprovar a documentação.''
O pastor presbiteriano Marcio Borges Ribeiro, presidente da comunidade Restaura Vidas Dependência Química (Revide), que deve ser contemplada com recursos para mais cinco leitos, também não sabe por que a instituição ainda não recebeu o dinheiro.
A terceira comunidade terapêutica aprovada pela seleção do Ministério da Saúde em Londrina é a Associação Promocional Londrina Viva (Prolov), que deve ser contemplada com mais 15 leitos. O presidente da entidade, Sidnei Cesar Furichi, informou que o repasse estaria na dependência de um edital que contemple as regras válidas para os convênios municipais.
Em Maringá e Rolândia a situação é parecida. Os responsáveis pela Associação Maringá Apoiando a Recuperação de Vidas (Marev) e pelo Centro de Recuperação Vida Nova (Cervin), contemplados respectivamente com mais 20 e 10 leitos, também não entendem a demora. ''A demanda por vagas é intensa, mas não podemos aumentar nossa capacidade de atendimento se não tivermos os recursos necessários'', argumentou Edson Antonio Galvan, coordenador geral do Cervin.
O Ministério da Saúde confirmou que os recursos para tratamento de dependentes de crack foram liberados no mês de abril, em parcela única, aos respectivos municípios. O diretor executivo da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina, Márcio Nishida, confirmou o recebimento dos recursos (R$ 384 mil) e explicou que não há como escapar dos trâmites burocráticos. ''Logo depois do recebimento, em maio, foram solicitados os termos de referência à Diretoria de Atenção à Sa© úde (DAS), que foram apresentados anteontem à gestão pública.''

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