São Francisco, 31 (AE) - O Lunar Prospector, que foi lançado em janeiro de 1998 para orbitar a Lua e recolher dados sobre o satélite da Terra, caiu hoje (31) numa cratera do Polo Sul lunar, exatamente às 6h51, hora do Brasil, como fora planejado. O objetivo do final explosivo da missão era produzir uma nuvem de detritos que revelasse a presença de água no fundo da cratera, já que os sensores desta e de outras naves detectaram hidrogênio nos pólos lunares.
A nuvem, só visível no espectro ultravioleta, foi cuidadosamente registrada hoje, e por várias horas, por 25 observatórios astronômicos, dois deles no espaço.
Embora Daniel Goldstein, diretor do MacDonalds Observatory, em Austin, no Texas, tenha ficado "desapontado" com a ausência de uma nuvem visível, o cientista autor do projeto, Alan Binder, que dirigiu toda a operação do Ames Research Center da NASA, na cidade de Mountain View, na Califórnia, continua otimista.
"Tenho certeza de que atingimos a cratera", disse ele à AE. "Não voltamos a receber sinais da nave, depois que ela entrou no lado escuro da Lua, e isso é bom, porque significa que ela de fato caiu onde queríamos", acrescentou Binder, que está no momento hospedado em um hotel na cidade de Gilroy, ao sul de Mountain View.
Binder já enviou sua mudança para Tucson, no Arizona, onde começa a trabalhar na semana que vem em seu Instituto Lunar, uma entidade sem fins lucrativos que vai se concentrar na obtenção de recursos privados para financiar o estabelecimento de uma estação científica e de exploração mineral na Lua.
O fato de que não se receberam sinais da nave, no momento em que ela deveria ter saído do lado escuro da Lua, é prova de que o Lunar Prospector de fato caiu onde se esperava. Os cinco instrumentos científicos a bordo da nave continuaram enviando sinais até o último minuto.
"O Prospector fez tudo que esperávamos dele e muito mais", afirmou Binder. "Esta missão nos deu dez vezes mais dados do que esperávamos. A comunidade científica tem material para análise para muitos e muitos anos."
Na verdade, disse ele, a possibilidade de que a nuvem de detritos fosse visível era muito remota. "O que realmente nos interessa não está no espectro visível e sim no espectro ultravioleta", explicou Binder.
Agora, tem início a fase mais complexa da missão: analisar esses dados em busca da assinatura química da água, que deverá aparecer sob a forma de gráficos, onde o hidrogênio produz picos de um determinado tipo. Os computadores da NASA, que é proprietária de todos os dados recolhidos pela missão, vão trabalhar nisso pelas próximas semanas.
"Encontrar essa assinatura pode tomar até dois meses de trabalho", disse Binder.Ele e sua equipe calcularam que os polos lunares, que estão permanentemente na sombra, devem ter 200 milhões de toneladas métricas de água, sob a forma de gelo, misturadas aos 50 centímetros da camada superior do solo lunar.
A expectativa era de que, se essa hipótese for verdadeira, o impacto do Prospector lançasse para o alto uma quantidade de água correspondente a uma banheira cheia. A presença de água na Lua permitiria utilizar o oxigênio para criar uma atmosfera e o hidrogênio para fazer combustível para foguetes e para construir geradores elétricos.
Além de tudo que fez, e o que ainda pode fazer, dependendo dos resultados das análises dos dados nas próximas semanas, o Lunar Prospector também cumpriu uma missão original: carregou consigo, para um sepultamento definitivo, um pequeno tubo de metal, do tamanho de um batom, contendo as cinzas do astrônomo Eugene Shoemaker, uma das maiores autoridades em impactos lunares, que morreu há dois anos.

mockup