Araraquara (SP), 06 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inacio Lula da Silva, começa segunda-feira, em Belo Horizonte, a articular uma mobilização popular contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, marcada para o dia 26 nas principais capitais e cidades brasileiras. "É preciso que a sociedade saia às ruas, principalmente os estudantes, para mostrar que o Fernando Henrique precisa respeitar mais o povo brasileiro do que o FMI", comentou Lula hoje em Araraquara, onde se reuniu com metalúrgicos, sindicalistas e assentados rurais da região.
Apesar do movimento, Lula reafirmou o posicionamento de seu partido sobre uma possível renúncia do presidente. "Tirar ele e colocar quem? O Marco Maciel? É preciso mudar o modelo de governo do Brasil."
A pequena manifestação, organizada pelo deputado estadual Milton Temer (PT-RJ), que aconteceu no Rio de Janeiro na sexta-feira (05), pedindo a renúncia do presidente, também foi quase ignorada por Lula. "Vi apenas uma faixa derrotada...", limitou-se a dizer o petista. "Acabei de perder uma eleição e não tenho direito de pedir a renúncia dele. Quanto à população, ela deve se manifestar."
Lula informou que não está agendado um encontro com o governador mineiro, Itamar Franco, na segunda-feira, mas não descartou a possibilidade. "Converso com ele sempre que posso"
resumiu. "Continuo solidário ao Itamar e a todos os governadores estaduais que renegociam suas dívidas com a União."
Após sair da capital mineira, o petista passará em outros cinco Estados (Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Geande do Sul e Rio de Janeiro) para organizar a manifestação do dia 26.
"Precisamos enfrentar a política econômica do governo, apresentando alternativas para o País e mostrando à sociedade brasileira que este modelo está falido", disse Lula. "O governo do Fernando Henrique é uma praga de gafanhotos." Em abril, Lula retomará o movimento em todo o País.

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