Rio Branco, 13 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, está defendendo a retomada do desenvolvimento nas visitas aos Estados administrados por governadores eleitos pelo partido. Em entrevista à emissora estatal Difusora do Acre, na manhã de sábado, Lula parafraseou o ex-presidente Juscelino Kubitschek. "Se o PT chegar ao poder em 2002, tenho certeza de que faremos em quatro anos o que a elite que está no poder não fez em 40", disse.
Durante seu governo (1956-1961), Kubitschek usou o slogan "50 anos em cinco" para simbolizar o tom progressista de seu governo e marcar uma nova etapa de desenvolvimento no País. "Não tem outro jeito, o Brasil tem de voltar a crescer", defendeu o petista. "Há 20 anos estamos estagnados, até mesmo na agricultura", completou.
Lula acusou o governo federal de provocar taxas recordes de desemprego e de não colocar em prática mecanismos que poderiam ajudar na criação de novos postos de trabalho. Ele citou como exemplo a falta de crédito para micros e pequenos agricultores, que poderia criar novas vagas no interior do País e deter o êxodo rural. "Cada pequena propriedade rural vendida ou falida significa menos empregos no campo e mais pessoas vivendo precariamente na periferia das grandes cidades", disse o presidente de honra de PT.
Lula evitou falar em uma eventual candidatura à Presidência, mas adiantou que defende um amplo leque de alianças de esquerda em torno de um nome de consenso. "Estou nu diante do PT e prometo o mesmo empenho para eleger qualquer outro nome consensual, como se fosse a minha própria campanha", afirmou.
O petista disse que sempre foi um homem aberto ao diálogo. Prova disso é ter aceito, no início do ano, um convite do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) para conversar sobre os problemas nacionais. "Conversamos demoradamente", lembrou, "mas como ele acha que a política do governo está correta pedi para mudar de assunto, para falar de futebol, porque política era perda de tempo", contou Lula.
"Dissidência" - O presidente de honra do PT disse não acreditar em Ciro Gomes (PPS-CE) como uma opção da oposição para a eleição de 2002. Segundo Lula, Ciro é uma "dissidência" do PSDB e ele disse que não ficaria surpreso se, no futuro, o candidato cearense fosse apoiado por uma composição liderada pelos tucanos.
Lula não mediu elogios ao governador do Acre, Jorge Viana (PT), e prometeu ser o seu outdoor pelo Brasil. De acordo com o líder petista, Viana está demonstrando que é possível fazer política com princípios éticos. "Nenhum parlamentar do PT surgiu como envolvido ou suspeito em todas essas investigações e isso é um motivo de orgulho para um partido como o nosso", afirmou.

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