Lula recebe sem-terra; MST anuncia manifestações
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segunda-feira, 16 de maio de 2005
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Brasília, DF - Na chegada da caravana de 12 mil pessoas ao centro de Brasília, ontem, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, anunciou o início de uma segunda fase da Marcha Nacional pela Reforma Agrária. O novo ciclo começa hoje, com manifestações de reforço da marcha em dez Estados e várias capitais. Foram 15 dias de caminhada, que começou em 2 de maio, em Goiânia, a 205 quilômetros.
O MST cobra do governo federal o assentamento de 430 mil famílias. A pauta de reivindicações, com 16 itens, seria entregue por uma comissão com representantes de 23 Estados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto.
Segundo Rodrigues, as ações serão simultâneas aos protestos e atos públicos previstos para hoje, no Ministério da Fazenda, Embaixada dos Estados Unidos e Congresso Nacional, em Brasília. As atividades, que devem incluir ocupações, vão prosseguir conforme as agendas de cada Estado.
Os sem-terra caminharam 11 quilômetros pelo centro de Brasília e acamparam, por volta das 12 horas, nas imediações do Estádio Mané Garrincha, no Eixo Monumental. No trajeto, grupos fizeram performances e lavaram os pés do agricultor Luiz Beltrami de Castro, de 96 anos, o mais idoso da caminhada.
Uma equipe de 150 policiais militares, 40 agentes de trânsito e 35 policiais rodoviários federais, com apoio de um helicóptero da PM, cuidaram da segurança. Na chegada ao estádio, o trânsito ficou congestionado. A avenida N 1, do Eixo, teve de ser interditada durante 55 minutos para a passagem da caravana. O trânsito foi desviado, mas os motoristas reclamaram. ''Eles querem protestar e eu preciso trabalhar'', disse o advogado Flávio Machado.
O líder nacional João Pedro Stédile comandou o encerramento da caminhada elogiando o trabalho da Polícia. ''Eles foram nossos companheiros'', disse. Stédile entregou um boné do MST ao comandante do Policiamento Rodoviário Federal, Alex Sandro Klein da Fonseca, e pôs na cabeça o quepe do policial. ''Não achavam que um dia iam ver isso'', brincava com os jornalistas.


