Lula quer povo nas ruas para mudar politica econômica
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quinta-feira, 28 de janeiro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 28 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje que os partidos de esquerda vão mobilizar a sociedade contra o governo e a política econômica. Ele participou hoje, em Salvador, da gravação do Programa Livre. Aproveitou a platéia de cerca de 200 adolescentes para convocá-los a voltar às ruas, como nas campanhas da Diretas Já e do impeachment de Fernando Collor. O programa vai ao ar na segunda-feira (01).
Após o programa, Lula disse que a proposta de retorno das manifestaçäes públicas deve começar a ser discutida pelo PT, na reunião de sábado (30), em São Paulo. No entanto, acredita que somente depois do carnaval será possível mobilizar a sociedade. Na visão do petista, os partidos de oposição só terão força para negociar mudanças na política econômica se a sociedade apoiar.
Lula quer levar a mesma força politica dos trabalhadores demitidos da Ford para as praças das principais cidades brasileiras. "Precisamos sensibilizar esse governo a conversar com a sociedade do contrário não sairemos da crise", disse, explicando que o movimento é por políticas de crescimento do Brasil, que geraria empregos e fortaleceria a industria nacional.
A maioria das perguntas dos jovens girou em torno da crise econômica. "Essa crise é passageira?" indagou um dos adolescentes, permitindo a Lula disparar várias críticas contra o governo e o presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem tachou de "covarde" e "medroso".
Traçando um quadro negativo da economia do País e culpando o atual governo por ter falido o Brasil, Lula atribuiu ao governo FHC responsabilidade pela crise de duas lavouras da Bahia, a cacaueira e a do feijão na região de Irecê. A devastação dos pés de cacau, que deixou mais de 250 mil pessoas sem emprego nos últimos dez anos, foi provocada pela praga vassoura-de-bruxa e as sucessivas quebras de safras em Irecê, pelas secas contínuas. Num clima de comício, quando estava sendo aplaudido, o petista disse que FHC deveria "pedir as contas", mas depois posicionou-se contra a tese de renúncia de FHC defendida pelo ex-prefeito Tarso Genro (PT).
Segundo Lula, seria injusto FHC sair agora pois está começando um novo governo e tem muito tempo para resolver a crise. "Mas para isso precisa ouvir todos os segmentos da sociedade", insistiu. Para evitar a desvalorização do real, Lula propäe uma centralização do câmbio, que controlaria rigidamente a saída de dólores do País. Acha também que o governo deveria recriar barreiras alfandegárias para determinados produtos visando a proteger a indústria nacional. "As barreiras são mecanismos usados em todos os países do mundo", comparou.


