Lula quer aliança e novo programa para eleição de 2002
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de junho de 1999
Por Milton Bridi 
São Paulo, 23 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu hoje em Vinhedo, interior de São Paulo, uma aliança do PT com outro partido de esquerda para as eleições presidenciais de 2002. "Estou sentindo que está chegando a nossa vez, mas não sou candidato, gostaria de ser um cabo eleitoral de um outro candidato do PT" disse Lula, sem revelar nomes. Derrotado três vezes nas eleições para presidente da República, Lula disse que pretende propor à Nação um programa diferente daquele que defendeu nos três últimos pleitos. "Precisamos da união de vários setores para conseguirmos 20% dos votos que nos faltam", observou o petista, que acredita ter pelo menos 30% da preferência do eleitorado na disputa da sucessão de Fernando Henrique Cardoso.
Lula diz que uma possível candidatura do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) à sucessão presidencial não o ameaçaria. "O ACM está fazendo papel ridículo, com denúncias vazias, e vai acabar sendo desacreditado até na Bahia." O petista não acredita que ACM esteja ganhando espaço em São Paulo
como vem afirmando o senador. "O ACM é igual o Maluf: ambos não conseguem passar as fronteiras dos seus Estados; enquanto eu ganhei na Bahia as três vezes que disputei as eleições para presidente da República." O presidente de honra do PT acrescentou ainda que o senador não tem respaldo político em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros Estados do Nordeste. "Ele é uma figura baiana."
PT - Lula disse que não há necessidade, por enquanto, da formação de uma comissão de ética para apurar as denúncias sobre a formação de núcleos fantasmas no PT carioca para beneficiar a candidatura da vice governadora Benedita da Silva à Prefeitura do Rio de Janeiro. O assunto, segundo ele, será discutido durante a reunião da executiva nacional do partido, que acontece neste final de semana em São Paulo. "Só posso manifestar sobre o assunto depois de conhecer a atual situação", disse Lula. "Não acredito que será necessário uma intervenção da executiva nacional no diretório do Rio de Janeiro."
Para ele, ainda é prematuro dizer que 25% dos núcleos estariam irregulares e que poderiam favorecer a vice governadora na prévia do partido para escolher o candidato à Prefeitura do Rio. "Acho que está havendo exagero das duas partes" completou Lula, que espera um relatório do secretário geral do partido, Arlindo Chinaglia.


