Lula promete reforma agrária dentro da lei
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quarta-feira, 23 de julho de 2003
Leonencio Nossa<br> Agência Estado 
Brasília - O governo não permitirá atos ilegais e novos conflitos no campo, afirmou ontem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em reunião com 20 ruralistas, no Palácio do Planalto. Lula garantiu, segundo participantes do encontro, que o governo tomará uma decisão técnica e não ideológica em relação ao comércio e plantio de transgênicos.
O presidente tentou tranquilizar os representantes das entidades rurais, prometendo dar mais atenção à reforma agrária neste segundo semestre. ''Não vamos permitir a ilegalidade por parte de um laudo ou outro'', disse o presidente, de acordo com o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Rivaci Sperotto.
Ao comentar a situação das famílias assentadas, Lula criticou o processo de reforma agrária na gestão de Fernando Henrique Cardoso. ''O governo não pretende competir em volume de acampamentos com o governo anterior, mas sim na qualidade dos assentamentos'', teria afirmado o presidente. Lula disse aos ruralistas que o governo vai buscar a ''equidade'' entre trabalhadores sem-terra e fazendeiros.
No encontro, de duas horas, ele também defendeu a importância do agronegócio para a economia brasileira. Participaram do encontro o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o ministro da Casa Civil, José Dirceu, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci.
Rodrigues negou que Lula tenha recebido o grupo para reduzir a polêmica por usar um boné presenteado por líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ''Não acho que tenha havido mal-entendido. A classe rural apenas queria uma reunião para discutir vários assuntos e não apenas a questão do MST'', afirmou Rodrigues.
Mesmo sem anúncio de medidas concretas, os ruralistas deixaram o Palácio do Planalto ''tranquilos''. ''O presidente Lula reafirmou que tudo deve ser feito dentro da lei'', disse o presidente da Confederação Nacional de Agricultura, Antônio Ernesto de Salvo. ''É isso que nos interessa. Bonés e opiniões respeitamos, embora não concordemos.''


