Lula promete R$ 1,7 bi para reforma agrária
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terça-feira, 30 de março de 2004
Agência Estado 
Brasília, DF- O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, informou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lhe assegurou que enviará ao Congresso projeto de suplementação orçamentária, destinando R$ 1,7 bilhão para o programa nacional de reforma agrária. Além desse dinheiro, há R$ 1,4 bilhão para reforma agrária no Orçamento Geral da União de 2004. Desse valor apenas 14,9% (R$ 240 milhões) foram empenhados até agora.
A promessa foi feita por Lula em reunião encerrada no começo da noite no Palácio do Planalto, com a participação dos ministros-chefes da Casa Civil, José Dirceu, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci. Nessa reunião, o presidente reafirmou, segundo Rossetto, que vai manter os compromissos assumidos com os movimentos sociais.
O dinheiro será aplicado ao longo do ano. Rossetto não antecipou quanto será liberado em abril, para quando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem terra anunciou uma onda de ocupações. Para Rossetto, a ameaça do líder do MST, João Pedro Stédile, de ''incendiar'' em abril, é apenas ''uma opinião''. Ele lembrou que, em abril, os movimentos sociais costumam se mobilizar e fazer debates sobre a ''luta pela reforma agrária'', pois foi num mês de abril (de 1996) que ocorreu o massacre de 19 sem-terra em Eldorado do Carajás (PA).
''Os movimentos sociais têm a sua agenda e o governo, um programa de metas claro. Estamos trabalhando permanentemente'', afirmou o ministro. Ele negou que o governo trabalhe pautado pelo MST, no que tange à reforma agrária. ''O governo está empenhado em cumprir todos os itens do plano nacional de reforma agrária'', assegurou.
Ainda sobre as ameaças de Stédile, o ministro disse que excessos serão coibidos e que o governo federal e os governos estaduais estão atentos à ordem institucional. Durante a entrevista, Rossetto evitou, diversas vezes, criticar Stédile. ''Nós não somos juízes. Temos que ter cuidado com as generalizações'', esquivou-se. ''O governo cumpre lei e decisão judicial e continuará com essa conduta. Não acredito em um ambiente de descontrole''.


