Lula promete ''prestar contas' com o trabalhador
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quinta-feira, 01 de maio de 2003
Agência Folha 
São Paulo - Durante a missa do dia 1º de Maio na Igreja Matriz de São Bernardo do Campo (ABC Paulista), local que marcou o início de sua trajetória política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o compromisso de voltar em todos os Dias do Trabalho para ''prestar contas aos trabalhadores'.
Lula discursou de improviso no púlpito da igreja por cerca de 20 minutos, falando do compromisso assumido em campanha de combater o desemprego e a desigualdade social. Ele foi interrompido várias vezes por aplausos pelas mais de 2 mil pessoas que acompanhavam seu discurso.
''Tenho na minha cabeça cada promessa de campanha. Se eu falhar, falhou um pedaço da história do país'', afirmou, após a missa celebrada pelo arcebispo de São Paulo, d. Cláudio Hummes.
Lula fez questão de lembrar momentos de sua ascensão política e militância sindical, intimamente ligada à cidade São Bernardo do Campo, onde protagonizou greves no final dos anos 70 e início dos 80. ''Era um tempo em que a polícia estava aqui não para guardar a gente, mas para bater na gente'', afirmou.
O presidente lembrou a greve de 1978 e as paralisações subsequentes, que, segundo ele, não tiveram ganhos econômicos para o trabalhador, que foi obrigado a acatar acordos com empresas, mas que, posteriormente resultou em ganho político e culminou com a criação do PT, em 1980, e da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Lula estava acompanhado de sua mulher, a primeira-dama, Marisa Letícia, de cinco ministros, da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, além de senadores e deputados. O arcebispo emérito de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, também estava presente.
O presidente afirmou que pretendia lançar ontem o programa Primeiro Emprego, mas que preferiu postergar seu lançamento para que o projeto seja melhor elaborado. ''Hoje (ontem) era para estarmos lançando a proposta do primeiro emprego, mas não lançamos porque estamos trabalhando para que, quando lançar, funcione bem. O emprego é nossa obsessão'', afirmou.
O programa Primeiro Emprego, em caráter de finalização pelo governo federal, prevê que as empresas contratem jovens entre 16 e 24 anos nas dez maiores capitais do país, em troca de seis meses de isenção fiscal para cada vaga oferecida.
As empresas não podem ter demitido nenhum funcionário nos três meses anteriores à adesão ao programa e devem se comprometer a não fazê-lo pelos 12 meses seguintes.


