Lula pede ao MST respeito à lei
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quarta-feira, 02 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou ontem dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que a onda de saques e invasões de propriedades rurais prejudica a reforma agrária. Durante reunião no Palácio do Planalto com 27 coordenadores nacionais do movimento, Lula não pediu uma trégua, mas pregou o respeito à lei e advertiu que a violência no campo não é boa nem para o governo nem para o MST.
Marcado por um clima de cordialidade, o encontro durou duas horas e meia e serviu para que o presidente fizesse um minucioso relato do que tem feito pela reforma agrária e pedisse paciência. ''O governo não tem por que pedir trégua ao MST, pois não tutela os movimento civis. Assim são as regras num estado de direito. Ao governo, cabe fazer cumprir a lei e as regras'', resumiu o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, logo depois da reunião.
Lula deixou claro que é difícil acelerar o ritmo da reforma agrária, como quer o MST, pois no momento não há recursos nem terras disponíveis para tanto. A prioridade, reafirmou o presidente, é melhorar as condições de sobrevivência e de produção nos assentamentos já existentes.
Após o encontro, um dos coordenadores nacionais do MST, Gilmar Mauro, declarou: ''Não houve conversa sobre trégua. O governo se compromete com a reforma agrária. Se for feita, os conflitos no campo vão diminuir automaticamente.''
O governo avalia que, apesar da boa vontade manifestada pelos dirigentes do movimento, há cerca de 30 mil sem-terra impossíveis de controlar, por conta da ação de líderes radicais como Jaime Amorim, de Pernambuco, e José Rainha Júnior, de São Paulo.
Para o Planalto, a situação é crítica em pelo menos quatro Estados: Alagoas, Pará, Paraná e Pernambuco. Lula informou aos coordenadores do MST que para reduzir a tensão no campo o governo federal está firmando convênio com os governadores. Já os chefes dos sem-terra entregaram ao presidente uma lista de 16 reivindicações, entre elas o assentamento imediato de 120 mil famílias, número que pretendem ver chegar a 1 milhão até o fim do governo Lula.
O presidente respondeu que o governo tem plano de assentar 60 mil famílias neste ano e não fixou uma meta para seu mandato. Além de Rossetto, também participaram do encontro os ministros da Casa Civil, José Dirceu, da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, e da Segurança Alimentar, José Graziano, além dos líderes do governo no Congresso, senador Amir Lando (PMDB-RO), no Senado, Aloizio Mercadante (SP), e na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP).
Gilmar Mauro elogiou Lula, a quem considerou ''bem intencionado, realmente disposto a fazer a reforma agrária''. De acordo com ele, o verdadeiro adversário do MST é o latifúndio. O dirigente do movimento assegurou que não há orientação para a promoção de saques, mas disse que as invasões ''fazem parte da luta''. Como se falasse a mesma linguagem do governo, Gilmar Mauro declarou: ''Também queremos uma reforma agrária pacífica, sem violência.


