Curitiba-O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, ontem, da abertura do encontro do Segmento de Alto Nível na 8 Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-8). Até ontem, 55 ministros e representantes de 130 delegações haviam se inscrito para as reuniões nas quais serão debatidas as relações da biodiversidade com a erradicação da pobreza e com as atividades econômicas como agricultura e comércio.
O acesso e repartição de benefícios pelo uso de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais um dos itens polêmicos da COP-8 também estarão na pauta, assim como as ações para atingir as metas de 2010, que prevêem a redução da taxa de perda de biodiversidade nos nível nacional, regional e global.
O encontro, no Embratel Convention Center, em Curitiba, acontece, paralelamente, aos debates dos grupos de trabalho que estão reunidos no Expotrade, em Pinhais, região metropolitana, desde o dia 20. O relatório das discussões do Segmento de Alto Nível será apresentado pela presidente da COP-8, ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na plenária que acontecerá sexta-feira, último dia da conferência.
Apesar do reconhecimento da lentidão para implementar tratados internacionais e da impossibilidade de alcançar redução significativa da perda de biodiversidade, até 2010, o presidente Lula, preferiu ser otimista. ''Ainda estamos aquém. Mas ao invés de ficarmos reclamando o que, ainda, não conquistamos, aproveito esse encontro para que a gente possa comemorar o que nós já conquistamos. Os nossos fracassos serão reparados por quem vier depois de nós'', afirmou. Lula listou ações implementadas no Brasil, como a que permitiu a redução em 31% dos índices de desmatamento da Amazônia, e a Lei de Gestão de Florestas Públicas para o uso sustentável de 13 milhões de hectares naquela região.
Depois de citar números que apontam a desigualdade social no mundo, Lula afirmou: ''Não é aceitável que os países mais pobres continuem a sofrer o principal ônus da degradação ambiental resultante de padrões insustentáveis de produção e consumo determinados pelas nações industrializadas.''
O diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Klaus Toepfer, defendeu também a adoção do regime de repartição de benefícios. ''Podemos fazer isso como fizemos com o direito de propriedade intelectual. Não é utopia de algum ambientalista. Isso deve ser o centro da nossa política de desenvolvimento sustentável'', destacou.
A ministra do Meio Ambiente deu maior ênfase à necessidade de integração dos setores governamentais nas políticas de conservação da biodiversidade. Como presidente da COP-8 decidiu dar novo formato à reunião do Segmento de Alto Nível, inserindo temas como alimentação, erradicação da pobreza, agricultura, comércio e acesso e repartição de benefícios. Marina defendeu a transversalidade das ações como uma ''nova maneira de caminhar na implementação da CDB''.

mockup