Lula ironiza defesa de projetos sociais feita pelo PFL
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Vera Rosa 
São Paulo, 10 (AE) - No dia em que o PT completou 20 anos, Luiz Inácio Lula da Silva disse que o partido não pretende ser mais sectário só para contrapor-se ao PFL de Antonio Carlos Magalhães. "Só faltava essa!", ironizou Lula hoje. "Não vamos virar um PSTU para ficar diferente nas propostas", emendou ele, numa referência ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado - a legenda trotskista que tem origem na Convergência Socialista, corrente expulsa do PT.
A ironia de Lula tem endereço certo: cada vez mais os pefelistas empunham bandeiras da oposição, incorporando idéias de cunho social. "Se o PT for a razão pela qual a direita avança na adoção de políticas sociais, cumprimos com a nossa tarefa", argumentou. O presidente de honra do PT disse não estar interessado em saber se é sincera a proposta do PFL de aumentar o salário mínimo para o equivalente a US$ 100.
"O que interessa é que, se o PFL apresentar esse projeto, vamos aprovar", observou Lula. Ele aproveitou a deixa para dar uma estocada no deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP), ex-sindicalista e autor da proposta de elevação do mínimo. "O Medeiros está certo, mas se o PFL não levar isso para votação, ficará desmoralizado", afirmou.
Lula minimiza os comentários de que deu palanque a ACM quando debateu com o senador, em outubro, idéias para combater a miséria. A proposta de emenda constitucional criando o Fundo de Combate à Pobreza - originária de um projeto de autoria de ACM - foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. "É longe daquilo que queríamos criar, mas temos de pensar assim: a Europa Ocidental só evoluiu nas propostas sociais porque tinha o comunismo a seu lado", avaliou. "Se ficarmos só com as nossas posições, não nos comprometeremos com nada."


