São Paulo, 28 (AE) - O governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, tentaram hoje pôr panos quentes na briga do PT fluminense com o governador e no bate-boca com o presidente do PDT, Leonel Brizola. Garotinho anunciou em São Paulo que ele e Lula concordaram em se reunir para discutir a crise, embora ainda não tenham marcado uma data. Segundo ele, a iniciativa partiu de Lula, que ligou hoje de manhã propondo que o encontro ocorresse "o mais rápido possível".
Lula fez um apelo para que Garotinho e Brizola parem de brigar. "Não podemos ver companheiros se destroçando dessa maneira", afirmou, em Embu das Artes (SP). "Quem está ganhando com essa briga?", questionou. "Por causa disso, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do noticiário." O líder do PT disse que o lugar do partido no Rio é no governo e defendeu a aliança com o PDT.
A conversa entre os dois por telefone foi conciliadora. "Lula me disse que entende toda essa polêmica e sabe que eu não quis ofender o PT como um todo, que foi uma declaração dirigida a um grupo do partido que tinha um comportamento dúbio", contou Garotinho. Segundo ele, o petista teria dito que viu no episódio "oportunismo de muita gente" e estaria gostando da forma "firme" como o governador estaria separando a responsabilidade de administrar o Estado das crises dos partidos.
Em São Paulo, o governador respondeu às críticas de Brizola, que o comparou ao ex-presidente Jânio Quadros, por "desrespeitar os partidos e ser centralizador". O líder do PDT acrescentou que Garotinho tem "obsessão" em ocupar a Presidência. "Chega de briga, não fui eleito para brigar, se eu quisesse brigar eu teria escolhido outra atividade, eu ia para o boxe", disse. "Eu fui eleito para trabalhar, não existe crise no governo, a crise é nos partidos."
"Brizola me chamar de centralizador é para qualquer um dar risada", ironizou, sugerindo que o governo brizolista foi mais centralizador. Garotinho disse que não tem obsessão em ser candidato a presidente. "Estou tão preocupado com a administração que só vou pensar nesse assunto depois das eleições de 2000; mas aí o repórter pergunta se eu gostaria de ser presidente e vou dizer que não?"
Ele contou que ainda não falou com Brizola após a troca de farpas. "Isso foi uma das coisas que reclamei, acho que merecia pelo menos um telefonema." Sobre o deputado Carlos Santana (PT)
que ameaçou voltar atrás na decisão de deixar seu governo, Garotinho ironizou: "Eles (os petistas) não esperavam que fossem ser demitidos tão rápido, não é?" E acrescentou: "Mas olha, sou um coração generoso, quem sabe se ele fizer uma autocrítica, pedir perdão pela conduta dúbia, nós não somos pessoas que guardamos ressentimento."

mockup