Lula intervém em negociação com sem-terra
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segunda-feira, 23 de junho de 2003
João Domingose Leonencio Nossa<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou clara ontem a preocupação com o aumento das invasões de propriedades rurais em todo o País e anunciou que intervirá nas negociações com os líderes dos sem-terra. Numa decisão inédita, o presidente reforçou o time do governo que cuida especificamente da área, determinando aos ministros José Dirceu, da Casa Civil, e Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, que façam contatos com os representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Pastoral da Terra (CPT) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) Rural. Na segunda semana de julho, Lula receberá a cúpula do MST no Palácio do Planalto.
Na manhã de ontem, o presidente conversou com Dulci e Dirceu durante mais de três horas no Palácio da Alvorada. A reunião contou também com a presença do vice-presidente José Alencar e dos ministros da Fazenda, Antônio Palocci Filho, e do chefe da Secretaria de Comunicação, Luiz Gushiken. Antes de falar com Dulci e Dirceu, Lula recebeu o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, no Palácio da Alvorada.
Até agora, as negociações com os sem-terra eram conduzidas por Rossetto, que não será afastado da tarefa, de acordo com o porta-voz da Presidência, André Singer. Continuará a cuidar dos assentamentos e de anúncios como o que será feito hoje, de liberação de R$ 5,4 bilhões para o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).
Dirceu e Dulci, segundo informações oficiais do Planalto, fizeram pelo menos três encontros com dirigentes dos sem-terra desde a posse de Lula e passarão a ter uma atuação política, com o objetivo de evitar o confronto dos movimentos rurais com o governo.
Numa entrevista concedida à Rádio Jovem Pan, logo depois de conversar com Lula, Dulci disse que ele, Dirceu e Rossetto continuarão conversando com os sem-terra porque o governo busca o diálogo com todos os setores da sociedade e defende a reforma agrária, mas concentrada nas terras improdutivas. O Palácio do Planalto trabalha com levantamentos que mostram: a maior necessidade não é a de fazer novos assentamentos de sem-terra, mas dar condições para que os assentamentos existentes produzam.
O reforço na área de política agrária foi explicado no fim da tarde pelo Palácio do Planalto. ''A questão da reforma agrária é tratada pelo ministro Miguel Rossetto. A Secretaria-Geral é encarregada da interlocução política com os movimentos sociais e a Casa Civil, como coordenadora política do governo, acompanha essa discussão'', disse o porta-voz André Singer.
''O governo está empenhado em estabelecer o diálogo com diversas entidades representativas do setor para que o Brasil conclua uma reforma agrária tranquila e pacífica. O presidente acredita ser possível, dentro da lei, assentar os que precisam de terra e quem já está assentado ter condição de prosperar'', completou.


