Lula intervém e busca acordo para crise no Rio
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio de Janeiro, 22 (AE) - Um dia após a Articulação reunir o diretório fluminense do PT para revogar a decisão de devolver os cargos que ocupa no governo do pedetista Anthony Garotinho, um de seus líderes, o secretário do Planejamento, Jorge Bittar, anunciou hoje em reunião do diretório municipal da capital que a decisão será revogada.
Ele cumpriu assim determinação do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que condenou a iniciativa da Articulação do Rio e ordenou a Bittar e ao secretário do Trabalho, Gilberto Palmares, que fossem ao encontro recuar da decisão da véspera. "A deliberação de ontem está sendo reconsiderada", discursou Bittar.
Ele afirmou que a aprovação da proposta que revogou a decisão de deixar os cargos aconteceu por causa de uma falha de comunicação. Os 25 integrantes do diretório regional ligados à Articulação e seus aliados não saberiam, ontem, de como estão adiantadas as negociações entre Lula e o presidente do PT do Rio
Carlos Santana, para encerrar a crise.
Em reunião realizada à tarde, Lula recebera um ultimato. Santana lhe deu até 18h30 de hoje (horário do início da reunião do diretório municipal) para reverter a resolução e ameaçou radicalizar. Santana acenou com a possibilidade de apoiar no municipal a idéia de grupos anti-Articulação de criar comissão de ética contra membros da tendência, inclusive a vice-governadora, Benedita da Silva.
"Eu me senti traído pela reunião de ontem", disse o presidente do PT do Rio. No municipal, após o recuo da Articulação, integrantes de tendências adversárias adiaram a criação da comissão.
Lula comprometeu-se a tentar intermediar uma saída negociada para a crise e mandou que Bittar fosse à reunião do diretório municipal dizer que a decisão de anteontem não valeria. "Essa resolução não pode ter validade enquanto não houver acordo interno e externo", disse o presidente de honra do PT no encontro, a portas fechadas. Nele, Lula classificou a decisão de seu grupo no Rio de "ato de irresponsabilidade".
Reunião - Aos jornalistas, Lula disse que só soube hoje de manhã da reunião realizada no domingo. Ele revelou que na última quinta-feira discutiu o assunto com Santana, o presidente do PT, José Dirceu, e o secretário-geral, Arlindo Chinaglia, em Brasília, em busca de um acerto.
"Chegamos à conclusão de que não haveria nenhuma reunião até que houvesse uma proposta de acordo para o PT do Rio", disse ele. "Acho que esse encontro (de anteontem) não contribuiu." No encontro da semana passada, foi oferecida a Santana a possibilidade de o engenheiro Raul de Bonis, de seu grupo, voltar a ser secretário dos Transportes. De Bonis foi exonerado, com cerca de 40 outros petistas, em 25 de outubro, um dia depois que o 18º Encontro Estadual do PT decidiu entregar os cargos. A entrega era um protesto contra Garotinho, que chamou a legenda de "partido da boquinha", por supostamente querer cargos.
Lula disse esperar que Dirceu, "como bom mineiro, encontrasse uma solução nas 24 horas seguintes". Uma das preocupações do comando petista é evitar que o debate sobre a crise do Rio chegue ao 2º Congresso Nacional do PT, que começa amanhã, em Belo Horizonte. O presidente de honra do PT disse que a situação fluminense é desagradável, porque uma reunião convoca a outra. "Se não houvesse a reunião de ontem (do regional), ficaria mais fácil desconvocar a de hoje (do municipal)."
Críticas - Lula fez hoje duas reuniões no sindicato. Na primeira, restrita a algumas lideranças dos grupos Opção Popular
Opção Socialista e Campo de Ação Popular, ouviu reivindicações para reabertura do diálogo. Na segunda, com outros petistas das mesmas tendências, foi duramente criticado.
"Traição", "golpe" e "falta de respeito" foram algumas expressões que ouviu. Depois, disse que sempre andara "de cabeça alta, mesmo para os maiores inimigos, e não seria no PT que a abaixaria". Ele contou que disse a Dirceu ontem que "uma banda do PT decidira o que não deveria" e se comprometeu a voltar a São Paulo e reverter a decisão junto ao presidente nacional do PT até 18h30.
Até essa hora, deveria telefonar para Santana com uma resposta. "Vim ao Rio conversar com Garotinho (há cerca de 20 dias) com a grandeza de quem nunca lhe pediu nada, nem para nomear um faxineiro nem um convite para escola de samba", afirmou.
Ele disse ter proposto ao pedetista um protocolo de comportamento e se disse surpreso pelo vazamento da notícia. "Já falei para o Jorge (Bittar) que o Garotinho tem que assinar um pedido de desculpas ao PT", disse o presidente de honra, que ressaltou que não conversará mais com o governador sobre o assunto. Segundo ele, o secretário está preparando uma minuta da retratação, a ser submetida a Santana, Dirceu e a Garotinho.
Lula acusou o pedetista de "estar picado pela mosca azul" do poder e disse que o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, tenta resolver um problema do PDT (Garotinho) usando o PT.


