Salvador - Na primeira visita a Salvador desde que tomou posse, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou ontem de manhã, no Hospital Irmã Dulce, o programa Farmácia Popular, uma das principais promessas de sua campanha eleitoral. Durante discurso, Lula elogiou políticos do PFL, tradicional adversário do PT na Bahia e que controla politicamente o governo e a prefeitura da capital baiana. Ao elogiar o governador da Bahia, Paulo Souto, o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy, e até mesmo o prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, o presidente foi vaiado por militantes petistas presentes ao encontro.
O presidente observou que estavam sendo inauguradas naquele momento farmácias populares não só em Salvador, mas também no Rio de Janeiro, Goiânia e São Paulo. ''Por coincidência, duas cidades governadas pelo PT e duas cidades governadas pelo PFL'', comentou.
Segundo o presidente, o critério de escolha das cidades para implantação do projeto da Farmácia Popular foi muito simples: ''Foi dos prefeitos que se comprometeram a participar do processo da farmácia popular. Esse é o critério que para nós interessa. É o compromisso das pessoas quererem fazer o projeto junto com o governo federal'', disse.
Ao receber os títulos de cidadão da Bahia e de Salvador, Lula voltou a homenagear Paulo Souto e Antonio Imbassahy. ''São pessoas de partidos diferentes (do PT), com posições antagônicas, mas que aprenderam a conviver respeitosamente, fazendo política civilizada'', afirmou. ''Somos adversários eleitorais e, quando termina a eleição, não precisamos nos unir, mas ter consciência de que, depois da posse, termina o discurso de candidato e é hora de concretização dos projetos'', acrescentou.
O programa Farmácia Popular prevê a venda de 84 remédios a preços reduzidos para a população em geral. Indicados para as doenças mais comuns no País, os remédios são vendidos sob prescrição médica.
Cada paciente pode comprar o que está na receita. Mas, no caso de doenças crônicas, a quantidade não pode ser nunca superior ao necessário para dois meses de tratamento. ''Há sempre o risco de o paciente não se adaptar, de ter de mudar de medicação'', justifica o coordenador-geral do Departamento de Assistência Farmacêutica do Ministério da Saúde, Dirceu Barbano.
As prateleiras das farmácias populares são abastecidas por medicamentos produzidos nos laboratórios oficiais e comprados da indústria farmacêutica. Mas de laboratórios do governo, são minoria: apenas 25 itens, do pacote de 84. Os descontos variam. Cerca de 20 itens alcançam o índice mais alto de redução de preços (80% mais baratos). Outros 40 têm redução média de 50% e o restante, entre 30% e 40%. O preço é uniforme para todo o País.

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