Salvador, 02 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, a deputada Luíza Erundina (PSB-SP) deputados, militantes petistas e comunistas foram empurrados por mais de 150 policiais militares uniformizados e à paisana, na manhã de hoje, no Desfile de 2 de Julho, data que marcou os 176 anos da independência da Bahia. Os organizadores da festa determinaram que os opositores só poderiam se integrar ao evento depois da saída do cortejo, aberto pela comitiva do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães, da qual participavam o governador César Borges (PFL) e o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PFL).
O grupo de pefelistas manteve-se longe dos petistas. O conflito entre militantes do PT e a polícia começou no Largo da Lapinha, de onde sai, em cortejo, o carro do Caboclo e da Cabocla, símbolos da miscigenação e resistência baiana aos portugueses. Depois de meia hora, militantes petistas conseguiram furar o bloqueio num grande empurra-empurra e seguiram em direção à Praça Terreiro de Jesus, destino final do desfile.
Na entrada da praça, enquanto ACM e as autoridades baianas assistiam ao te deum (cântico da Igreja, em ação de graças), celebrado na Catedral Basílica, um novo conflito ocorreu porque a segurança do governo baiano queria evitar que os petistas se aproximassem da igreja, antes da saída dos pefelistas. Faixas e cartazes do PT , PC do B e outros partidos de oposição, com frases criticando o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso foram arrancadas das mãos dos manifestantes pela polícia. Os deputados Nélson Pellegrino (PT-BA) e Jacques Vágner (PT-BA) puxaram palavras de ordem conhecidas para protestar. "Abaixo a ditadura!" e "Viva a democracia!", gritaram, conseguindo convencer os policiais a os deixar passar em frente da catedral. "Na Bahia, não se respeita a Constituição, não se tem o direito de manifestação e do ir e vir", reclamou Pellegrino.
Depois de toda confusão, petistas esperaram a saída dos parlamentares do PFL da catedral para os vaiar. ACM ficou alheio ao tumulto. Bem-humorado, vestindo um terno azul claro e calçando tênis para enfrentar os seis quilômetros de caminhada do cortejo, ACM preferiu fazer uma comparação entre os heróis da independência da Bahia com o momento atual do Estado. "Queremos fazer, agora, a independência econômica da Bahia, com a fabrica da Ford", disse. A vinda da montadora para o Estado motivou o PFL a espalhar dezenas de faixas ao longo do percurso, provocando os petistas: "O PT votou contra a Ford na Bahia", diziam. Aplaudido na maioria do trajeto e assediado por correligionários que o abraçavam, ACM também levou vaias em alguns trechos da caminhada. No fim da festa, o senador pediu aos jornalistas para "fazer o julgamento" de quem era o mais popular, ele ou Lula. Sobre os trabalhos no Congresso para o segundo semestre, enfatizou que as prioridades serão as votações das reformas tributária e judiciária e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

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