Belém, 19 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou hoje, em Belém, que não pretende mais manter qualquer encontro reservado com o presidente Fernando Henrique Cardoso para tratar das questões do País. "Ele não teria o que dizer porque continua defendendo as mesmas mazelas que sempre defendeu em quatro anos de governo, além de estar altamente comprometido com a subordinação do País ao Fundo Monetário Internacional (FMI)."
Lula disse que só conversou em "caráter pessoal" com o presidente porque este ligou cinco vezes para ele antes do último encontro. "Fui e disse a ele que, se queria conversar com a oposição, deveria fazer uma agenda, torná-la pública e enviá-la aos líderes no Senado e na Câmara, mas ele não fez nada disso." Ele acrescentou: "Posso até voltar a comer rabada e tomar cachaça na casa do Ratinho, mas, com o presidente, não vou mais."
Perguntado se tinha vindo ao Pará para resolver problemas internos do PT, que está em meio a uma crise entre o prefeito Edmilson Rodrigues e a vice-prefeita Ana Júlia Carepa, que estão brigados, Lula negou ter sido esse o objetivo. As questões internas do PT , observou, podem ser resolvidas pelos diretórios municipal, regional e nacional.
"Eu não estou autorizado a fazer isso; eu vim tratar da estratégia para a eleição do ano que vem e buscar alianças; se há alguma crise, o PT deve resolvê-la da forma que bem entender."
Para Lula, a preocupação maior, hoje, são os "estragos" que o governo de Fernando Henrique está fazendo no Brasil, sobretudo na área econômica. "Eu até esperava mais do Fernando Henrique nessa mudança de ministério; pensei que ele ia tirar o Malan, que governa uma área onde está o tumor e toda a política de subordinação ao capital especulativo."
Afirmando que não gostaria de parecer contundente, Lula disse que a verdadeira mudança deveria "começar pelo próprio presidente".

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