Lula diz que imposto contra pobreza é marketing
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de julho de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 22 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje, em Salvador, que o imposto para combater a pobreza, defendido pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), não passa de "jogada de marketing". Segundo o petista, se ACM e o presidente Fernando Henrique Cardoso combaterem a pobreza com os mesmos métodos usados nos últimos anos, "os pobres estão lascados".
Na visão de Lula, Magalhães é um dos causadores do aumento de miseráveis no Brasil, uma vez que defende o atual modelo econômico. "Agora, com essa brincadeira de querer ser candidato à Presidência da República, ele está fazendo tudo para ganhar notoriedade, depois de 50 anos de política: é muita pobreza de espirito", declarou, achando que o senador baiano terá muita dificuldade para se tornar uma liderança nacional com chances de ganhar a eleição presidencial.
"É que ele tem características de um político como Maluf (Paulo Maluf, ex-prefeito de São Paulo, do PPB), por exemplo, com um pouco de prepotência e arrogância, algo imperial", definiu. Essas "características", de acordo com Lula, impediriam que eles saiam das fronteiras, em São Paulo e na Bahia.
O petista criticou Fernando Henrique, acusando-o de tentar tirar proveito indevidamente da defesa dos pobres. "FHC não chegou ao fundo do poço porque poço não tem fundo e é sempre possível cavar um pouco mais", disse, achando que, a partir de agora, Fernando Henrique tentará de tudo, "em termos de marketing", para recuperar a imagem. "ACM e FHC têm ajudado muito os pobres: ajudaram os bancos com o Proer, as empresas privadas dando dinheiro do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para comprar as estatais e o Banco Marka, dando R$ 1,5 bilhão para salvar Cacciola (Salvatore Alberto Cacciola, dono do Marka)", ironizou, sugerindo uma medida rápida e eficiente dos dois para aprovar o imposto da pobreza. "É só o presidente da República editar uma medida provisória (MP) sobre o assunto e ACM colocar para votar no Congresso com a mesma agilidade usada no caso da Ford." Com isso, observou Lula, as oposições não teriam nem tempo para discurso.
A instalação da fábrica da Ford foi o principal motivo da visita de Lula à Bahia. Desde que toda a polêmica começou, o PFL baiano tem veiculado, insistentemente, as declarações do petista, segundo as quais o governo federal deveria ter vetado a MP automotiva que concedeu isenções fiscais à montadora.
"O PT nunca foi contra a Ford na Bahia", disse, explicando que o partido rejeita os beneficios concedidos pelo governo. Ele disse não saber se o Brasil ganha com isse tipo de projeto. "As multinacionais devem instalar suas fábricas no Brasil com recursos próprios, pois isso é um risco do capitalismo", declarou. A missão baiana de Lula é extremanente delicada, contudo.
Ele iria lançar hoje à noite o nome do deputado federal Jaques Wagner (PT) candidato à prefeitura de Camaçari, local onde será instalada a fábrica da Ford.
Lula acredita ser possível esclarecer a posição do PT ao eleitor e citou o caso do Rio Grande do Sul. "Na campanha presidencial, também fomos contra as isenções concedidas à Ford no território gaúcho e, mesmo assim, ganhamos as eleições."


