Rio, 30 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso está se tornando um "vendedor de ilusões". Lula comentava a proposta do governo para o Plano Plurianual (PPA), a ser anunciada amanhã (31). "A cada ano, ele lança um plano, faz uma campanha de marketing e o resultado concreto é nenhum, porque a economia continua ora estagnada, ora decrescendo", afirmou. "Eu sou agora um São Tomé: quero ver pra crer.", disse Lula, depois de participar da abertura da 17ª Conferência Nacional dos Advogados na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
O PPA, rebatizado de "Avança Brasil", contempla 360 grandes projetos de infra-estrutura para o período de 2000 e 2003, e está sendo visto como uma resposta de Fernando Henrique às críticas sobre falta de investimentos sociais. O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem (29) que o plano é um sinal de que o governo tem se mostrado sensível às críticas dos aliados sobre a condução da política econômica e social do País.
Lula afirmou que não está interessado em ouvir "discursos". "Quero ver se os investimentos vão ser canalizados para mudar objetivamente a economia brasileira", afirmou. Para o líder petista, o PPA não anula o efeito da marcha das oposições, que reuniu, na semana passada, em Brasília
milhares de pessoas contra a política econômica do governo federal. "Se tudo o que o presidente quiser fazer para anular a marcha for algo bom para o povo, que o faça", disse. "Mas ele sabe o que tem que ser feito, sabia antes mesmo de ser presidente, não fez até agora porque tem compromisso com o sistema financeiro internacional."
POBREZA - O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque (PT) propôs hoje, em palestra sobre justiça e exclusão social, que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) comande um movimento de combate à pobreza. "Precisamos fazer uma passeata dos com rumo para que, depois, o governo não nos acuse de fazer um movimento dos sem rumo". Ele sugeriu que o projeto para combater a pobreza leve em conta que precisam ser gastos R$ 40 bilhões por ano, correspondentes a 14% da receita dos governos estaduais, 5% do Produto Interno Bruto (PIB). E propõe que o projeto receba o nome de Élder, em homenagem a dom Élder Câmara, falecido no sábado.
Segundo ele, é preciso aproveitar o momento em que a elite demonstra que está interessada em acabar com a miséria. "No Senado, se descobriu recentemente a pobreza no Brasil", disse com ironia, em referência à anunciada proposta de combate à pobreza do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Cristovam Buarque disse que falta ao presidente Fernando Henrique "sensibilidade". "Eu, por exemplo, não sou daqueles que o acusa de falta de ética, mas de falta de preocupação com o social", declarou o ex-governador petista.
O arcebispo de Mariana (MG), dom Luciano Mendes de Almeida, que também discursou sobre exclusão social no País, aproveitou para criticar as privatizações. "Se as privatizações foram tão importantes, por que o governo não diz exatamente para onde foi o dinheiro dos leilões?", questionou. Segundo ele, é preciso que o processo de desestatização tenha mais transparência.

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