Lula diz que divergência com Itamar não prejudica combate ao governo
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domingo, 14 de março de 1999
Por Renato Andrade 
Belo Horizonte, 15 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, acredita que a diferença de posições entre o governador mineiro, Itamar Franco (PMDB),e os demais governadores de oposição não prejudicará o objetivo da esquerda de combater e levar às ruas o debate sobre um novo modelo econômico para o País. Segundo Lula não existe uma divisão na oposição.
"A discordância de procedimentos (dos governadores) não significa discordância na luta nacional", insistiu. Para o presidente de honra do PT, a tentativa de centralizar a discussão apenas na posição de Itamar frente ao presidente Fernando Henrique Cardoso seria de interesse do Planalto. "Isto é tudo que o presidente quer, evitar a discussão dos temas nacionais", avalia.
Lula participou na noite de hoje do lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Autonomia dos Estados, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais. Parlamentares de 17 Estados estiveram presentes ao encontro. Foi definida uma carta de princípios, defendendo quatro pontos básicos que devem ser discutidos com o Congresso e a toda sociedade: o endividamento dos estados; a revogação da Lei Kandir e do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF); a reforma tributária, e o estímulo ao debate sobre um novo pacto federativo.
No discurso, Lula insistiu que todas as assembléias legislativas deveriam lançar movimentos iguais ao organizado hoje em Minas Gerais. Para Lula, aqueles que têm proposto essa "luta" contra o modelo político-econômico atual podem, neste momento, ser tachados de "loucos", o que, no ponto de vista dele, não seria um problema. "Os que propuseram o impeachment do Collor (ex-presidente Fernando Collor de Mello), no início, foram chamados de loucos", lembrou o petista, que ressaltou: "Alguma coisa já aconteceu nesse mundo sem que algum louco tivesse dado o primeiro passo? ; sejamos todos loucos", afirmou.
Hoje, Lula participará, com o presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), da reunião do Fórum Democrático Popular, que irá se reunir na Escola de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), para preparar as manifestações a serem feitas nas principais capitais do País, no dia 26, dentro da programação do Fórum Nacional de Lutas, movimento contrário à política econômica do governo Fernando Henrique.


