Lula diz que desentendimento entre FHC e ACM é 'farsa'
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 13 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Inácio Lula da Silva, afirmou hoje, ao participar da festa da Lavagem do Bonfim, em Salvador, que não passa de uma farsa o suposto desentendimento entre os presidentes da República, Fernando Henrique Cardoso, e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Para Lula, apesar de declarar o contrário, ACM não quer a limitação das medidas provisórias (MPs), pois a mudança não atende aos interesses do Planalto.
"É uma briga para inglês ver, pois os dois são farinha do mesmo saco", disse. Lula acusou FHC de "banalizar" o uso das MPs, instrumento jurídico criado na Constituição de 1988, com base no modelo italiano e para ser usado em casos excepcionais. "Em quatro anos de mandato, FHC usou mais MPs que o regime militar os decretos-lei", criticou. Segundo Lula, as dificuldades que Fernando Henrique tem com o Congresso são resultado de uma suposta "relação promíscua" que ele teria iniciado quando, na opinião do petista, "comprou os votos para aprovar a reeleição". Ao agir desta forma, de acordo com Lula, o presidente da República teria também "banalizado" a relação entre Executivo e Legislativo. "Agora, não tem mais recuperação porque FHC, sem credibilidade, não é levado a sério por ACM, pelo (presidente da Câmara, Michel) Temer (PMDB-SP) e os demais parlamentares", declarou.
Lula classificou também como "cínica" a postura de Fernando Henrique ao apoiar o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), que criou medidas de proteção para a indústria paulista em função da chamada guerra fiscal entre os Estados. "Se ele (FHC) estivesse na Bahia, declararia-se favorável à política fiscal daqui", disse, entendendo que o presidente, na verdade, estimulou a guerra fiscal ao permitir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) liberasse recursos para a instalação de indústrias automobilísticas na Bahia e Paraná. "Ele poderia resolver o assunto se também tivesse interesse em aprovar uma reforma tributária que criasse uma política fiscal justa e equânime para todo o Brasil", disse. Sobre a medida de Covas de cobrar Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cheio para produtos de outros Estados que entrarem em São Paulo, Lula considera que, na prática, isso não vai funcionar. "Isso é muito mais um instrumento político que fiscal", notou. Lula foi a Salvador para participar do pré-lançamento da candidatura do deputado Nelson Pelegrino (PT-BA) à presfeitura da capital baiana, ocorrida hoje, na Lavagem do Bonfim, festa iniciada com uma caminhada de oito quilômetros na Cidade Baixa, entre as Igrejas da Conceição e do Bonfim.
Pelegrino disse ter aproveitado a festa, que reúne perto de 1 milhão de fiéis, para fazer o lançamento informal da candidatura. "É o momento certo para dar conhecimento à cidade da nossa pretenção de chegar à prefeitura", disse.


