Lula diz que CPI da Justiça deveria começar investigação pelo TRE da BA
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segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 23 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou-se hoje favorável à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário, defendida pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), mas ressaltou que a investigação deveria começar "pela Justiça Eleitoral da Bahia". Segundo ele, dessa forma, seria possível descobrir "o que acontece lá" em eleições" como a de 1994, quando o então candidato petista Waldir Pires, depois de perder a disputa para uma vaga no Senado, apontou supostas fraudes.
"Até hoje, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) recusa-se a recontar os votos", disse. Lula, que esteve hoje no Rio para participar de manifestação na Central do Brasil com o objetivo de convocar o Dia Nacional de Protesto Contra a Política Econômica, marcado para sexta-feira (26), disse que o PT ainda não tem posição fechada sobre a CPI e defendeu uma profunda reformulação da Justiça. "Pedimos desde 1988 que haja controle externo do Poder Judiciário", disse. "O que nós questionamos é a atitude do Antonio Carlos de pedir uma CPI apenas com o intuito de acabar com a Justiça do Trabalho, partindo do pressuposto que todo empresário brasileiro é um anjo." Lula disse que a Justiça trabalhista deve se adequar à realidade para ser mais ágil, mas não pode ser extinta.
O petista afirmou que os magistrados não podem temer uma investigação e criticou o Judiciário brasileiro, que considera ruim. "Vamos ser francos: o Supremo Tribunal Federal não julga nada; a Justiça federal, eu mesmo tenho um processo contra a Previdência Social desde 1985, já faz 14 anos e nada foi definido; a Justiça comum só prende pobre, é uma Justiça feita para prender pobre", criticou.
Segundo Lula, "de vez em quando, insinua-se prender um rico", mas, com um bom advogado, todos os ricos conseguem escapar. "O pobre, como não tem (um bom advogado), vai preso", afirmou.
O presidente de honra do PT afirmou que a CPI do Judiciário deveria ser feita com "todo o cuidado", uma vez que estaria sendo desacreditada "mais uma instituição brasileira". "Mais prudente que uma CPI seria estabelecer novos critérios para indicar juiz, para indicar ministro, para indicar desembargador", afirmou. "Não se pode colocar um ministro do Supremo Tribunal Federal numa situação de descrédito da sociedade", afirmou. Lula disse também que a oposição não pode permitir que, com a instalação da CPI, se desviem as atenções do povo, voltadas para a crise. "No Brasil, teríamos de ter uma dez CPIs", afirmou.
Lula disse que o novo presidente da Petrobras, Henri-Philippe Reichstul, é "um testa-de-ferro de um banco" e foi nomeado com o objetivo de preparar a empresa para privatização. "Não conheço, não vou julgá-lo", afirmou o petista. Ele disse que o fato de ter tido alguma ligação com a esquerda não credencia o novo presidente da estatal. "Conheço outras pessoas que foram de esquerda e fizeram m...", afirmou, completando a frase com um palavrão. Lula disse também que há, na Petrobras, muitos funcionários de carreira aptos a dirigi-la.


