Salvador, 19 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a dizer hoje que a proposta de renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso é uma posição pessoal do ex-governador Leonel Brizola (PDT) e não da frente de oposições. "Não é do Itamar, não é do Arraes, não é do PT, não é do PC do B, não sei se, inclusive, é do PDT", disse. Ele acredita que na reunião dos partidos de oposição, marcada para a próxima semana, o discurso sobre o assunto será unificado.
Lula admitiu que o PT e o PDT tem divergências, assegurando que a luta dos dois partidos é exatamente para uma convergência de posições. Uma das linhas de ações é a realização de atos públicos contra o governo. "Queremos levar o povo às ruas para mostrar a realidade de um governo que vai passar à história como o pior de todos os tempos", declarou, voltando a culpar a imprensa pela "anestesia" da sociedade brasileira. "Com raríssimas exceções, a imprensa foi totalmente subserviente ao primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, não informando corretamente o que estava acontecendo no Brasil."
Sobre o gatilho salarial, para repor as perdas da inflação, que o PT propõe, disse que a intenção não é o retorno da indexação. "Ocorre que se a inflação voltou e os trabalhadores nos últimos quatro anos tiveram os salários reajustados abaixo dos índices do custo de vida, é lógico que o responsável é o governo permitindo uma desvalorização alucinada do câmbio e aumentando tarifas." Lula quer um gatilho entre 5 a 10% e voltou a garantir que o PT não vai mudar de posição só porque os governadores do partido teriam dificuldades para conceder aumento ao funcionalismo. "Se os governadores não tiverem condições de dar aumentos não é problema deles e sim da União que quebrou os estados."
Sobre a campanha do presidente do Senado Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), contra o Judiciário, Lula acusou o senador de fazer "política de baixo nível", principalmente por ameaçar o Tribunal Superior do Trabalho de extinção. "Se ele quer fiscalizar a Justiça deveria começar pela Eleitoral e na Bahia, tomando como exemplo a eleição de 94", disse referindo às denúncias de fraude na apuração dos votos ao Senado que teriam beneficiado o candidato do PFL, Waldeck Ornelas, atual ministro da Previdência e prejudicado Waldir Pires (PT). O petista esteve em Salvador para participar da abertura do Fórum Estadual de Luta por Terra, Trabalho e Cuidania, promovido pelos partidos de oposição.

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