Lula diz que briga entre Barbalho é ACM é por dinheiro
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Vera Rosa 
São Paulo, 24 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje que a recente queda-de-braço entre os presidentes nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), pela relatoria do Plano Plurianual de Investimentos (PPA) foi uma briga por dinheiro. "Não tem nenhuma razão ética, moral e social por trás disso", afirmou Lula. Para ele, o PPA é apenas "uma peça de marketing", na tentativa de recuperar a imagem do governo.
"Só que esse plano pode ter dinheiro para distribuir", ressalvou. Lula não detalhou o que queria dizer com briga por dinheiro. Mesmo observando que ACM faz "proselitismo" ao propor um imposto para acabar com a pobreza, defendeu a participação do senador no Seminário Os Caminhos do Crescimento e o Combate à Miséria, a ser promovido pelo Instituto Cidadania no dia 18.
Lula comanda o Instituto Cidadania, uma organização não-governamental (ONG) ligada ao PT, e fez o convite a ACM porque, na opinião dele, ele tem muito a esclarecer sobre a proposta de criar o Fundo de Erradicação e Combate à Pobreza. A iniciativa provocou uma crise não só dentro do PT como também do PDT, PSB, PCB e PC do B, os outros partidos que compõem a frente de oposição.
"Isso tudo é bobagem, mesmo porque não preciso provar minhas divergências com ACM", disse Lula. "A novidade não sou eu nem a esquerda falar de fome, e sim um cara da direita ficar preocupado com a pobreza." O senador baiano não o convenceu quando deu explicações sobre a fonte de financiamento do fundo para erradicar a pobreza.
"ACM criou um monte de siglas, falou que quem vai gerenciar o fundo é o PFL, mas não disse de onde vem o dinheiro nem como vai aplicar", argumentou. Depois, mostrou ressentimento ao lembrar que, há seis anos, apresentou um projeto de segurança alimentar ao governo, não levado adiante. "Por que não debater?", perguntou.


