São Paulo, 08 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje que uma suposta aproximação entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes pode afetar a credibilidade do ex-governador do Ceará, pois ele fez diversas críticas a FHC. Para Lula, o centro do poder sofre de uma certa angústia para designar quem disputará as eleições presidenciais. "Já testaram Antonio Carlos Magalhães (presidente do Congresso e senador, do PFL da Bahia), Roseana Sarney (governadora do Maranhão, do PFL), mas acho que vão terminar entre as opções Tasso (Jereissati, governador do Ceará, pelo PSDB), Covas (Mário, governador de São Paulo, pelo PSDB) ou Ciro Gomes."
Lula disse que, ao completar 20 anos de idade, o PT se parece com uma entidade de produção cultural, além de partido político. Na verdade, explicou, as atividades culturais promovidas pelo partido são uma forma de atrair a juventude e quem não gosta de política. Para comemorar os 20 anos, o PT está editando livros e CDs sobre a história do partido, organizando debates e exposições culturais, além de concursos de vídeo e de redação, para menores de 18 anos. Um dos pontos de destaque das comemorações será 1.º de maio, Dia do Trabalhador, quando o partido organiza manifestações em todo o País contra a "política neo-liberal dominante".
O PT comemora 20 anos de fundação quinta-feira (10) convicto de que, apesar das dificuldades em concretizar alianças
poderá conquistar pelo menos dez prefeituras de capitais, além de cidades como Santo André e São Bernardo do Campo, no Grande ABC (SP), nas próximas eleições municipais. Santo André é governada pelo prefeito Celso Daniel (PT) e São Bernardo do Campo, pelo prefeito Maurício Soares (PPS), ex-petista e ex-tucano.
Lula acredita que o PT manterá a prefeitura de Belo Horizonte. Para Lula, as eventuais alianças que o partido faça neste ano serão o alicerce para a grande disputa presidencial de 2002.
Em conversa com correspondentes estrangeiros, o presidente nacional do partido, deputado José Dirceu (SP), disse estar confiante de que o PT estará governando o País em alguns anos. Segundo ele, o PT quer dar uma resposta às questões de soberania e desnacionalização, temas na pauta de discussão de vários setores do País. "A desnacionalização é intolerável; estamos perdendo os instrumentos de controle das políticas monetária e fiscal", disse. Para Dirceu, não basta apenas proteger a indústria nacional. É preciso, afirmou, criar um novo modelo econômico, de desenvolvimento nacional, substituindo a coalizão conservadora que governa o País. "Nem na ditadura houve uma política como a do atual governo, sem projeto de desenvolvimento nacional", afirmou.
Dirceu afirmou que o PT está votando a favor do projeto de reforma tributária porque, nele, há diversos pontos com os quais a legenda concorda, como a renda mínima e os Impostos Territorial Rural (ITR) e sobre Fortunas.
Dirceu disse que o PT, se assumir o governo, pretende descontinuar o programa de privatizações, mas favorecer parcerias entre investimentos estatais e privados, até mesmo com estrangeiros.

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