Lula defende mecanismos de proteção a trabalhadores
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Paula Puliti 
Londres, 04 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu hoje, em seminário na Universidade de Oxford (Inglaterra), a criação de mecanismos de proteção aos trabalhadores, no caso de volta da inflação. Lula afirmou que nem o PT, nem os trabalhadores, desejam a volta da inflação. A exceção, segundo ele, seria o sistema financeiro, que ganha muito com a inflação. Lula não defendeu abertamente a volta da indexação salarial, mas acredita que os tabalhadores precisarão de algum instrumento para preservar os salários. Lula participa de um seminário aberto sobre o PT, organizado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Oxford. Também participam do evento o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), o ex-governador do Distrito Federal Cristóvam Buarque (PT), o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) e o secretário de Relações Internacionais do partido Marco Aurélio Garcia.
Lula afirmou que o Banco Central (BC) está nas mãos dos agiotas internacionais. "Hoje, estamos acatando as orientações do FMI, inclusive na indicação do presidente do Banco Central", afirmou, referindo-se à nomeação do economista Arminio Fraga para a presidência do BC. "Se é para indicar o assessor do (George) Soros (megaespeculador internacional), poderia indicar o próprio Soros", completou. Lula considera fraca a argumentação de que a nomeação de Fraga para o BC é correta porque ele conhece bem o mercado e pode resolver a crise. Se esse argumento fosse correto, na avaliação de Lula, poderia combater-se a violência no Rio, por exemplo, nomeando um bandido para um cargo ligado à segurança. Lula fez esse paralelo porque Fraga tem ligações com o mercado financeiro.
Durante seminário, Lula mostrou-se bastante preocupado com a interferência do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Brasil. "O FMI não conhece problemas sociais; está apenas preocupado com as reservas que o País tem para cumprir as obrigações com credores internacionais."
Segundo Lula, o presidente Fernando Henrique Cardoso poderia ter adotado em junho uma série de medidas para evitar que o Brasil continuasse dependente do capital externo. No entanto, "ele deixou a crise estourar por causa das eleições". Lula disse, em Oxford, lamentar muito que Fernando Henrique não tem mais autoridade moral para fazer alguma coisa para tirar o Brasil da atual crise. "Não vamos ser donos do País por muito tempo."
O PT acredita que uma das formas para evitar a atual crise poderia ter sido a adoção, com antecedência, da centralização temporária do câmbio, para evitar forte saída de capitais, até mesmo o controle sobre cartões de crédito, sobre compra de dólares, redução da política de juros e de importações predatórias.
Segundo Lula, que participa de seminário na Universidade de Oxford, essas medidas poderiam ter evitado a desvalorização selvagem do câmbio pelo mercado. No entanto, o governo não deu atenção às sugestões do PT e, hoje, não tem sequer controle sobre a política monetária do País.
Suplicy disse que Fraga terá bastante trabalho para convencer os senadores em aprovar o nome dele no BC. Segundo Suplicy, a ligação de Fraga com o mercado financeiro toca em uma questão ética, e mesmo para a base governista, o nome dele causou muita estranheza. "Muitos senadores acham que vai ser dificil o aprovar."
De acordo com os dirigentes do PT, a reivindicação da renegociação da dívida dos Estados, que está sendo feita pelos governos de oposição, é uma grande chance para a abertura de conversas com todos as unidades da federação. O PT acredita que a oportunidade de renegociação da dívida deve ser aproveitada tanto pelos governos de oposição como pelos de situação porque as demandas são as mesmas.


