Lula defende adoçao de gatilho salarial
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terça-feira, 16 de março de 1999
por Cláudia Carneiro 
Brasília, 17 (AE) - O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, defendeu há pouco a adoção de um gatilho salarial e cobrou do governo que tome a iniciativa de apresentar ao Congresso uma proposta de recomposição das perdas salariais com a inflação. "Acho mais do que justo que os trabalhadores, que perderam muito nestes quatro anos do plano Real com a ausência de reajuste, tenham agora a reposição das perdas com a volta da inflação", afirmou. Lula sustenta que a inflação não é culpa do salários, mas da desvalorizaão do real sem controle. "Os trabalhadores fizeram todo sacrifício necessário; alguns ficaram quatro anos sem reajuste, com o argumento de que era preciso manter a estabilidade do real, e eles não podem ser vitimados outra vez pela incompetência do governo com sua política econômica", disse. O presidente de honra elogiou a posição do PMDB e disse que o partido, embora aliado do governo, veio juntar-se aos partidos de oposição e ao movimento sindical que defendem o gatilho salarial como uma necessidade para recuperar o poder aquisitivo de uma parcela grande da população brasileira. Para Lula, o governo pode controlar a inflação por outros meios, como preços e evitando a flutuação financeira, mas não penalizando ainda mais os trabalhadores.
O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, voltou há pouco a criticar o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Stanley Fischer, que defendeu a privatização de instituições financeiras estatais como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. "Desde quando um representante da agiotagem internacional pode dizer o que o Brasil deve fazer ou não?", indignou-se Lula. "Por isso não podemos aceitar que os trabalhadores tenham de perder, mais uma vez", acrescentou. O presidente de honra do PT criticou, também
o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), por sua proposta de acabar com a Justiça do Trabalho. "Alguém precisa dizer a ACM que a monarquia acabou e que não temos mais imperador", afirmou Lula. "Se acabarmos com a Justiça do Trabalho, vamos colocar o quê no lugar?", questionou. Segundo ele, o presidente do Congresso parte do pressuposto de que "os empresários brasileiros são todos anjos, tratam o trabalhador com muito respeito e pagam tudo direitinho, quando é exatamente o contrário". Para Lula, a Justiça do Trabalho tem seus defeitos, que devem ser consertados.


