Brasília, 06 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, reagiu hoje à proposta do governo de celebrar um pacto político nacional, envolvendo a oposição, para equilibrar as contas da Previdência e obter o ajuste fiscal. Para Lula, o presidente Fernando Henrique Cardoso quer, com o pacto, dividir com outras forças políticas o fracasso do governo.
"Se ele quer falar em pacto, deveria ter proposto quando estava forte e com popularidade em alta", argumentou. "O fracasso subiu à cabeça de Fernando Henrique." Segundo Lula
esse entendimento deveria ter acontecido no início do primeiro mandato do presidente, época em que ele estava no auge. "É bom lembrar que Fernando Henrique fala em pacto desde 1982, mas nunca fez", afirmou.
Ele argumentou que, para acontecer um acordo com oposição, seria necessário que o presidente transmitisse confiança. "Se o governo tivesse disposto a negociar, não estaria tentando empurrar goela abaixo uma proposta como essa da Previdência", criticou ele. Essas observações foram feitas no início da noite, quando ele apresentou para deputados e jornalistas o programa político do PT que será transmitido amanhã (07) em cadeia nacional de rádio e televisão. De manhã, ao discursar para os manifestantes da Marcha Popular pelo Brasil
Lula disse que o governo precisaria estar disposto a "zerar" o projeto da Previdência para que o movimento sindical sentasse à mesa de negociações.
Lula criticou a tentativa de antecipar a discussão em torno das eleições de 2002 e disse que a disposição dele é criar condições dentro do partido para que apareçam outras alternativas com chances de disputar a Presidência da República. "Não estou disposto a ser o candidato natural mais uma vez", avisou. Ele defende que o partido discuta novos critérios de escolha do próximo candidato. "Em 1997, disse que não queria disputar a eleição, mas sabia que não teria outro candidato", reconheceu.
Por isso, ele propõe que se aproveite esses três anos para discutir o assunto. "Quero escancarar as portas do PT para debater esse tema."
Mesmo assim, Lula não descartou sua candidatura. "Agora não posso me suicidar para isso; não posso jogar fora o patrimônio que eu tenho", completou o petista, referindo-se aos 30% de intenções de votos, segundo pesquisas recentes.
O PT exibe amanhã programa de televisão que empolgou os parlamentares do partido, que esperam mobilizar a população para o debate político.
"Estamos querendo fazer que as pessoas pensem", observou Lula. Sobre a pesquisa do Ibope divulgada recentemente, conferindo apoio de 40% da população a Ciro Gomes, virtual candidato do PPS à presidência, Lula lembrou que em nenhum momento o questionário menciona as eleições.
"Na pesquisa anterior do Ibope, que trata de intenções de voto, eu tive 31% e o Ciro, 40%", disse ele. Ele considera que "ainda é cedo para saber se o PPS está crescendo ou se está inchando", em função da adesão de prefeitos ao partido de Ciro Gomes. Na opinião do líder do PT, é preciso esperar as eleições municipais do próximo ano para saber quantos desses prefeitos serão reeleitos. "Mas é bom que o PPS cresça, pois quanto mais partidos que não estejam ligados ao bloco da direita, melhor para nós", disse Lula.

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