O pré-candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou ontem em Curitiba o pronunciamento feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). ‘‘Desde o dia 17 de abril passado, quando fizemos a grande marcha dos trabalhadores sem terra rumo a Brasília, o presidente vem tratando da luta da terra como se fosse uma vingança pessoal. Falta vontade política para resolver o problema’’, discursou.
Lula veio ao Paraná a convite das lideranças do PT e do MST. Ele atacou ainda as acusações feitas pelo governo federal condenando a invasão de prédios públicos como forma de pressão. ‘‘O presidente Fernando Henrique não tem autoridade moral para falar em invasões, depois do que fez na convenção nacional do PMDB. Partido político neste País é público’’, comparou. ‘‘E ele rompeu a cerca de qualquer princípio ético’’, emendou.
Lula defendeu as manifestações dos sem-terra no Paraná e disse que existe uma vontade geral de que o governo federal cumpra a sua parte no problema da terra. ‘‘Gostaríamos que o governo tivesse a mesma sensibilidade que teve o imperador (D. Pedro II) que, no século passado assentou os imigrantes italianos e alemães’’, disse Lula, que às 19 horas tinha uma reunião marcada com o Movimento, no plenarinho da Assembléia Legislativa.
As lideranças do MST no Estado pretendem dar um prazo de 30 dias para que o Incra e o governo coloquem em prática as promessas de novos assentamentos. Durante este período, o MST pretende suspender as invasões de áreas e as ocupações de prédios públicos, realizadas para pressionar o governo a negociar. Hoje, os cerca de mil sem-terra que estavam acampados em Curitiba desde segunda-feira deverão voltar para o interior do Estado.
Os líderes do movimento disseram estar satisfeitos com o resultado das negociações com o superintendente do Incra no Estado, Petrus Abib. O superintendente apresentou ontem o cronograma de atividade do Incra para este ano, estipulando o mês de abril como data máxima para o início de aquisição de áreas destinadas à reforma agrária no Paraná. A meta do Incra é adquirir cerca de 80 áreas até o final do ano, assentando aproximadamente seis mil famílias.
Uma das lideranças do MST na região Noroeste, Nildemar da Silva, disse que houve um ‘‘grande avanço’’ no Paraná com a realização da ‘‘Jornada de Luta’’. Segundo Silva, o movimento recebeu promessas de que os três sem-terra presos durante as últimas desocupações serão em breve libertados.

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