Lula critica pronunciamento de FHC
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de março de 1998
Cristine Pieske Leandro Donatti 
O pré-candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou ontem em Curitiba o pronunciamento feito pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Desde o dia 17 de abril passado, quando fizemos a grande marcha dos trabalhadores sem terra rumo a Brasília, o presidente vem tratando da luta da terra como se fosse uma vingança pessoal. Falta vontade política para resolver o problema, discursou.
Lula veio ao Paraná a convite das lideranças do PT e do MST. Ele atacou ainda as acusações feitas pelo governo federal condenando a invasão de prédios públicos como forma de pressão. O presidente Fernando Henrique não tem autoridade moral para falar em invasões, depois do que fez na convenção nacional do PMDB. Partido político neste País é público, comparou. E ele rompeu a cerca de qualquer princípio ético, emendou.
Lula defendeu as manifestações dos sem-terra no Paraná e disse que existe uma vontade geral de que o governo federal cumpra a sua parte no problema da terra. Gostaríamos que o governo tivesse a mesma sensibilidade que teve o imperador (D. Pedro II) que, no século passado assentou os imigrantes italianos e alemães, disse Lula, que às 19 horas tinha uma reunião marcada com o Movimento, no plenarinho da Assembléia Legislativa.
As lideranças do MST no Estado pretendem dar um prazo de 30 dias para que o Incra e o governo coloquem em prática as promessas de novos assentamentos. Durante este período, o MST pretende suspender as invasões de áreas e as ocupações de prédios públicos, realizadas para pressionar o governo a negociar. Hoje, os cerca de mil sem-terra que estavam acampados em Curitiba desde segunda-feira deverão voltar para o interior do Estado.
Os líderes do movimento disseram estar satisfeitos com o resultado das negociações com o superintendente do Incra no Estado, Petrus Abib. O superintendente apresentou ontem o cronograma de atividade do Incra para este ano, estipulando o mês de abril como data máxima para o início de aquisição de áreas destinadas à reforma agrária no Paraná. A meta do Incra é adquirir cerca de 80 áreas até o final do ano, assentando aproximadamente seis mil famílias.
Uma das lideranças do MST na região Noroeste, Nildemar da Silva, disse que houve um grande avanço no Paraná com a realização da Jornada de Luta. Segundo Silva, o movimento recebeu promessas de que os três sem-terra presos durante as últimas desocupações serão em breve libertados.


