São Paulo, 22 (AE) - O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou hoje integrantes da sua própria tendência, a Articulação, que aprovaram a permanência dos petistas no governo do Rio numa reunião à revelia do presidente do diretório fluminense, deputado Carlos Santana. Apesar de achar que o PT deve continuar aliado do governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT), Lula ressalvou que a forma como foi tomada essa decisão está "totalmente errada".
"Tenho sentido que no Rio há grande disposição de fazer um acordo que possa resolver o problema de relacionamento com o governador Garotinho", afirmou ele. "O problema é que, no domingo passado, uma parte do PT tomou uma decisão que não deveria e agora estamos tentando desmontar essa confusão." A "parte" a que se refere Lula é justamente a corrente Articulação.
A polêmica envolvendo a entrega dos cargos públicos ocupados por petistas começou há cerca de um mês, quando Garotinho disse que o PT deveria mudar o nome para "Partido da Boquinha". Desde então, o assunto transformou-se numa novela: os secretários de Estado filiados ao PT devolveram os cargos, mas o governador não os aceitou. Garotinho só concordou com a exoneração de Raul De Bonis, secretário de Transportes ligado a Carlos Santana.
As facções de "esquerda" no espectro ideológico petista acham que o partido tem de marcar posição e devolver os cargos. A Articulação de Lula não concorda com isso. Os radicais, liderados por Santana, prometem agora contestar o resultado da reunião de domingo. O argumento é de que o encontro foi realizado à revelia, já que havia sido transferido para o dia 5 de dezembro. "Nenhuma decisão eminentemente matemática poderá resolver esse problema, que é político", observou Lula. "É por isso que tenho conversado com o Garotinho a respeito de um protocolo de intenções, para melhorar a relação entre o PT e o PDT no Rio."

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