Lula critica aprovação automática na rede pública
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terça-feira, 13 de maio de 2003
Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem o sistema de aprovação automática dos alunos nas escolas que adotaram o sistema de ciclos, em vez de séries, adotado também em cidades administradas pelo PT. Na opinião do presidente, ''ter um sistema educacional em que as crianças não precisam de provas para saber se vão passar ou não de ano pode parecer moderno e muito bonito''. Mas advertiu: ''Sem um sistema de aferição a gente não sabe a qualidade de ensino que essas crianças estão recebendo''.
Lula falou durante lançamento do Programa Acelera Pernambuco, de melhoria do ensino nas escolas públicas do Estado, patrocinado por empresários. O presidente insistiu que ''quando se discute educação não se pode discutir custo porque educação é investimento''. Se não houver aplicação nesta área, ressaltou, ''amanhã será necessário investir em prisões, na recuperação de crianças e gastar para diminuir a violência no País''.
A responsabilidade de oferecer educação e de criar oportunidades para as pessoas não é só do governo, é também da sociedade, disse o presidente, defendendo que uma ''melhoria real'' da escola pública.
O presidente Lula disse que as pessoas precisam de ''oportunidade'' como ele e o vice-presidente, José de Alencar, tiveram. Mesmo sem diplomas universitários, tornaram-se líderes bem sucedidos em suas áreas. O presidente disse que se o Brasil tivesse cuidado da educação na década de 50 ''hoje não estaria invejando nenhum país desenvolvido''.
Mas diante do relato do ministro da Educação, Cristovam Buarque, de que os avanços na educação foram tímidas, nos últimos oito anos, o presidente salientou que ''não tem o direito de ficar reclamando aquilo que não foi feito''.
O programa Acelera será instalado em 180 municípios de Pernambuco e deverá beneficiar, em seis anos, 650 mil crianças de 7 a 14 anos que, apesar de estarem na escola, são analfabetas ou estão em série inadequada para a idade. De imediato, o projeto funcionará em 48 cidades. Cerca de 50 empresários responsáveis pelo projeto investirão R$ 90 milhões na capacitação de professores, compra de material didático e formação de classes especiais para crianças analfabetas e fora da série adequada.


