Lula condena nova tentativa de cobrar previdência de inativo
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Vera Rosa e Marcia de Chiara 
São Paulo, 18 (AE) - A nova tentativa do governo de cobrar a contribuição previdenciária de aposentados e pensionistas do serviço público foi criticada pelo presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. Lula disse que os governadores petistas precisam "afinar o discurso" com a bancada do partido. Lula quer conversar com o governador de Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que saiu da reunião de sábado com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília, elogiando a proposta do Planalto. "O governo está sendo incompetente, irresponsável e arrogante ao querer cobrar a contribuição dos inativos".
"É um equívoco do governo jogar a culpa pelo rombo da Previdência em cima dos inativos", afirmou Lula, acrescentando que as propostas de emenda constitucional apresentadas por Fernando Henrique podem "tapar o buraco" por apenas um ou dois meses. Para ele, se o governo quisesse discutir uma política de seguridade social mais ampla, a cobrança de contribuição para os inativos poderia até ser aceita pela oposição. "Mas, do jeito que está, sou contra", disse.
Na opinião de Lula, o presidente não está atacando o principal ponto da questão: o enorme contingente de trabalhadores informais que não contribuem para a Previdência. "Precisamos gerar novos empregos para resolver de vez esse problema." Na sua opinião, o problema da Previdência hoje é de receita, não de despesa.
"Nós temos um economia informal maior que a formal, portanto nós temos menos contribuintes." A População Economicamente Ativa (PEA) é de 70 milhões de habitantes e com carteira profissional assinada por volta de 19 milhões de pessoas, ponderou. Isso significa, na opinião de Lula, que é preciso criar empregos para ampliar as contribuições. Depois, acrescentou, é preciso acabar com a sonegação e regulamentar a economia informal.
"Tentar jogar a culpa apenas em cima do servidor público é para tapar buraco por um ou dois meses porque isso não resolve o problema da Previdência.", disse Lula.


