Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que somente depois da decisão do Senado é que vai definir que posição tomar sobre o aumento nas aposentadorias acima de um salário mínimo. Anteontem, a Câmara aprovou um reajuste de 7,7%, acima do que tinha sido acordado entre o governo e as centrais sindicais, de 6,14%.
''A mim, só cabe esperar a decisão final do Senado para que eu possa analisar os impactos disso na economia brasileira e na Previdência Social, e tomar a decisão. Acho que é assim que o presidente deve se comportar, ou seja, a Câmara cumpriu o seu papel, o Senado vai cumprir o seu papel e depois o presidente cumprirá o seu papel'', disse Lula, no Palácio do Itamaraty, onde recebeu as credenciais de novos embaixadores estrangeiros.
Para o presidente, apesar do acordo do governo com as centrais sindicais, para o reajuste das aposentadorias, a Câmara entendeu que deveria votar algo diferente do que tinha sido acordado com os dirigentes sindicais. Ele não considera, porém, que o reajuste de 7,7% seja uma loucura. ''Não, não. Veja, é um porcentual que a Câmara entendeu que era o correto e se a Câmara entendeu, não posso considerar loucura. Posso entender que os deputados têm tanta vontade de acertar, de fazer as coisas boas para o País como eu. É uma questão de visão econômica que vamos ou consertar ou manter do jeito que está depois que for aprovada no Senado'', disse.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sinalizou ontem, ao chegar ao Congresso, que o plenário deverá confirmar o reajuste de 7,71% para as aposentadorias acima de um salário mínimo. ''Estamos num ano eleitoral e dificilmente teremos o Senado modificando qualquer decisão da Câmara, qualquer que ela seja. Eu não conheço os números do orçamento do governo, mas acho que politicamente é muito difícil que haja qualquer modificação nesse projeto dentro do Senado. Até mesmo porque há uma simpatia muito grande aqui com os aposentados'', afirmou.

mockup