Lula acompanha colheita no Pontal
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domingo, 02 de março de 1997
Agências Folha e Estado, de Sandovalina 
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhou ontem uma colheita simbólica de milho na fazenda São Domingos, no Pontal do Paranapanema (extremo-oeste de São Paulo), onde há uma semana oito sem-terra foram feridos a tiros durante tentativa de invasão. Um balaio com milho colhido deve ser entregue amanhã ao ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann. Lula ganhou duas espigas. Ele acompanhava uma comitiva de parlamentares do PT formada, entre outros, pelo senador Eduardo Suplicy e o deputado federal José Genoino.
O ato, em favor da reforma agrária e contra as prisões preventivas de dirigentes do Movimento Sem-Terra, foi realizado dentro da fazenda, em Sandovalina (640 km a oeste de São Paulo), a cerca de três quilômetros do local do conflito. A visita dos petistas, na prática, esvaziou a decisão do MST, tomada no dia anterior, de voltar a invadir a fazenda para colher o milho com 300 pessoas.
Não vamos dar pretexto para os inimigos da reforma agrária, disse Lula. A decisão de colher o milho ficou mantida. Lula criticou FHC: Ele é que deveria dar ordens para colher o milho. O dinheiro que eles deram para salvar dois bancos daria para assentar 1,4 milhão de famílias.
Lula disse também que o MST é o grupo mais sério do Brasil atualmente. A reforma agrária é prioritária no programa político do PT e o MST é prioritário em nossa relação política, por sua autonomia e independência.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, afirmou que a visita dos petistas é pura demagogia.
A comitiva do PT visitou à tarde o líder do MST Márcio Barreto, preso desde segunda-feira em Presidente Prudente. A comitiva visitou também os sem-terra Antonio Levino Neves da Silva e Miriam Farias de Oliveira, feridos no conflito e que ainda permanecem internados na Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente. Miriam disse que está praticamente recuperada e que deve receber alta médica logo.
Levino Neves, que só na quinta feira deixou a UTI da Santa Casa, também já não corre risco de vida. No encontro com os políticos, lembrou que quase morreu e disse que quer ficar na terra para pegar o meu pedaço de terra. Explicou que foi atingido no peito pelos seguranças da fazenda São Domingos, quando subiu em um palanque de cerca para pedir para os sem-terra que avançavam em direção à sede da propriedade, para se retirar. Foi uma emboscada, afirmou.
Neves fez ainda um apelo ao presidente Fernando Henrique Cardoso: Queria que ele olhasse por nós, pois somos uma gente muito sofrida, disse. Por último, chorou ao falar da mulher e dos quatro filhos e concluiu: não vou desistir.


