Porto Alegre, 25 (AE) - Com a presença do presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, as oposições abriram hoje, em Porto Alegre, um roteiro de mobilizações em todas as capitais contra a política econômica do governo Fernando Henrique Cardoso. Para amanhã (26) estão previstos atos públicos em São Paulo - na avenida Paulista, às 15 horas - e em vários Estados. "Queremos que o movimento sirva para preparar um grande 1º de Maio, com uma concentração unitária no Rio", adiantou Lula.
Ele imagina uma mobilização semelhante a das Diretas Já, lançada nos anos 80 contra a ditadura militar. Em Porto Alegre, a manifestação aconteceria no final da tarde no largo Glênio Peres, centro da cidade.
Em encontro com estudantes, Lula pediu a todos um "grande trabalho" para "encher as praças de gente e mostrar o descontentamento da sociedade com a atual situação econômica e política do nosso país". Embora não espere uma adesão maciça e imediata, reparou que mesmo setores empresariais "que até ontem estavam na moita" torcem por uma mudança nos rumos da economia.
Criticando a gestão de FHC, Lula ressaltou que a dívida pública subiu de R$ 65 bilhões para R$ 340 bilhões nos quatro últimos anos. "E até o final de 1999 atingirá os R$ 400 bilhões", previu. E prognosticou que, após privatizar o que resta, "não faltará um comentaristas destes aparecer na TV e sugerir que, como a Amazônia não está totalmente habitada..." E emendou: "Pode parecer ficção mas quem acreditaria há alguns meses atrás que o megaspeculador George Soros indicaria o presidente do Banco Central?" Apesar das críticas, ele descartou, por enquanto, a realização de uma greve geral, notando que não existem condições para isso no momento.
Sobre a proposta do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL/BA), de instaurar uma CPI para investigar o Judiciário, Lula foi irônico. "Apóio e sugiro que comece pela Justiça Eleitoral da Bahia para desvendar o mistério da eleição de 1994", sugeriu. Disse que o oposicionista Waldir Pires foi "roubado" e que ainda está esperando uma resposta para o pedido de recontagem de votos encaminhado ao TRE baiano na época.
Lula afirmou que aceitaria a CPI mas apenas "se for para aprimorar o Judiciário e não para fazer estardalhaço". Ele rejeitou a proposta de acabar com a Justiça do Trabalho observando que a medida seria muito nociva para os trabalhadores. "Acabar a Justiça do Trabalho e colocar o quê no seu lugar?", perguntou. "Deixar tudo por conta da boa vontade dos empresários seria como entregar os trabalhadores aos leões"
comparou. Atribuiu aos empresários que descumprem a legislação trabalhista, principalmente negando-se a assinar a carteira do empregado, boa parte da responsabilidade pelo aumento no número de reclamatórias e a lentidão nos julgamentos.
Ele defendeu a adoção do contrato coletivo de trabalho. Segundo ele, esta instituição promoveria acordos dentro das empresas entre patrões e empregados, impedindo que 90% dos casos desembocasse na juntas trabalhistas.
Os protestos de rua foram programados pelo Forum Nacional de Lutas em Defesa do Brasil, que une entidades como a OAB, CNBB, CUT, UNE, MST e partidos como o PT, PDT, PSB, PSTU, e PC do B. O dirigente petista chegou pela manhã a Porto Alegre, reunindo-se com o governador Olívio Dutra (PT) e com o secretariado estadual no Clube do Comércio.

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