Lucro do BankBoston cresce 70%
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 21 (AE) - O BankBoston fechou 1999 com lucro líquido de R$ 210 milhões, o que representa um crescimento de 70% em relação ao ano anterior - em 1998 o lucro ficou em R$123 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 22%, ante os 18% do ano anterior.
Os juros elevados da economia brasileira no ano passado (taxa média de 30% ao ano, nominal) e a desvalorização do real contribuíram para o crescimento do lucro, de acordo com o vice-presidente da instituição, Alex Zornig. Do resultado, o impacto do câmbio foi de 16% por causa da valorização dos ativos em dólar, que correspondem a 90% do total.
O crescimento de 25% no número de clientes também foi um fator que contribuiu para o lucro. A base de clientes de pessoas físicas no BankBoston passou de 122 mil para 153 mil correntistas.
Os fundos de terceiros administrados pelo BankBoston expandiram-se 43%, passando de R$ 7,4 bilhões, no fim de 1999, para R$ 10,6 bilhões, em 1999. Com esse resultado, a instituição passou a incluir a lista dos dez maiores administradores de fundos do País. O BankBoston administra 80 fundos diferentes e a alta dos juros representa parte desse crescimento. Como aumentou o número de clientes, houve um incremento na captação de recursos, no ano passado, da ordem de US$500 milhões.
O volume de depósitos no ano passado mais que dobrou, passando de R$ 1,3 bilhão em 1998 para R$2,8 bilhões em 1999. O número de funcionários no ano passado permaneceu estável em 4.200 profissionais.
Zornig ressaltou que houve "um crescimento real importante, de cerca de 30%, oriundos de empréstimos, basicamente no segmento corporate". A expectativa é de manter um ritmo forte nos financiamentos para empresas de 25% a 30% em 2000, acompanhando o próprio crescimento da economia brasileira. O BankBoston tem interesse especial nos financiamentos de importações e exportações.
O banco tem previsto investimentos em empresas de Internet no Brasil, de U$ 30 milhões. Segundo o presidente do banco no País, Geraldo Carbone, o banco será acionista minoritário nas parcerias com essas empresas, para criar uma "cultura digital" que permita oferecer serviços ligados à Internet para os clientes do banco, que são correntistas com renda mensal superior ou igual a R$ 4 mil, e também para obter rentabilidade com os serviços na rede. "Quase todos os nossos clientes têm computadores e acesso à Internet", disse Carbone.
Os executivos do banco acreditam que os sites financeiros (especialmente dos bancos) terão grande crescimento nos próximos anos, com a substituição das transações feitas em agências pelas transações eletrônicas.


