Lucro de empresa aberta cresceu 50% no fim de 19992/Mar, 20:37 Por Alcides Ferreira São Paulo, 02 (AE) - O lucro das companhias abertas cresceu 50% no quarto trimestre de 1999, em relação ao mesmo período do ano anterior. A evolução dos resultados acompanhou a melhoria das vendas desse grupo de empresas. Suas receitas líquidas subiram 51% no último trimestre do ano. É o que mostra um levantamento feito pela AGÊNCIA ESTADO na base de dados da consultoria paulista Economática com 80 companhias abertas que já divulgaram os resultados anuais. Foram utilizados na pesquisa os valores nominais dos balanços consolidados, quando disponíveis. Esse grupo de 80 companhias abertas lucrou R$ 6,58 bilhões no quarto trimestre, ante R$ 4,38 bilhões no mesmo período de 1998. As receitas líquidas subiram de R$ 21,519 bilhões para R$ 32,530 bilhões. Câmbio - O lucro acumulado de 1999 foi de R$ 11,17 bilhões, representando um aumento de 25% em relação ao período de 1998, inferior à melhora do último trimestre. As receitas subiram 30%, menos também do que no quarto trimestre do ano, que apresentou crescimento de 51% em relação ao mesmo período de 1998. A comparação dos balanços anuais é afetada pelos resultados do primeiro trimestre, quando muitas companhias reconheceram todas as perdas cambiais com sua dívida externa devido à acentuada desvalorização do real. Enquanto esse fator piorou os resultados das empresas não financeiras, mandou os lucros dos bancos à estratosfera. Nesse grupo de 80 companhias abertas, o lucro dos 12 bancos em 1999 subiu 556%, passando de R$ 593 milhões em 98 para R$ 3,89 bilhões, no ano passado. Nas 68 empresas restantes, houve uma retração de 12% no lucro líquido anual. Reversão - No quarto trimestre, o comportamento se inverteu. As companhias voltaram a faturar mais e os lucros das 68 empresas não-financeiras aumentaram 87% em relação ao quarto trimestre de 98, enquanto os lucros dos bancos encolheram 24%. Apesar da alta do dólar ter comprometido os resultados do primeiro trimestre de 99, foi também uma das responsáveis pela puxada nos lucros nos últimos três meses do ano. Algumas das companhias que tiveram as mais expressivas recuperações em seu balanço são exportadoras, ou são aquelas beneficiadas pela proteção a seus mercados com o encarecimento das importações. O maior aumento de lucro no quarto trimestre foi da exportadora de máquinas-ferramenta Indústrias Romi, cujo resultado saiu de R$ 528 mil para R$ 3,825 milhões, uma variação positiva de 624%. Entre as maiores reversões, estão a indústria têxtil Cedro, passando de perda de R$ 257 mil para ganhos de R$ 10,920, e a Votorantim Celulose e Papel (VCP), de um prejuízo de R$ 6,041 milhões para lucro de R$ 89,906 milhões, segundo dados da Economática.