Lucro da Embraer sobe 212% em 99 e atinge R$ 412 milhões
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terça-feira, 28 de março de 2000
Por Daniela Milanese e Vladimir Goitia 
São Paulo, 29 (AE) - A Embraer anunciou hoje um lucro líquido de R$ 412 milhões em 99. O valor representa um crescimento de 212,2% em relação a 98. A receita bruta da companhia atingiu R$ 3,379 bilhões, um aumento de 114%. "O ano passado foi excepcional, tanto em termos de vendas como de produtividade e lançamentos de novos produtos", disse o presidente da companhia, Maurício Botelho. "A empresa superou definitivamente a fase de fraqueza." Segundo Maurício Botelho, a receita da empresa está mostrando um "crescimento substantivo". Ele não especificou, no entanto, qual a expectativa de aumento para este ano.
Botelho também contou que a Embraer deve gerar mil empregos em 2000. "A expectativa é atingir 11 mil funcionários em 4 anos", disse. Em 99 a empresa tinha 8.300 funcionários.
Exportações - As exportações da Embraer, que no ano passado somaram US$ 1,773 bilhão (R$ 3,22 bilhões), passaram a representar 95% da receita da companhia e, ao mesmo tempo, se transformaram em uma das mais representativas na balança comercial do País. De acordo com o diretor vice-presidente financeiro e de relações com os investidores da companhia, Antônio Luiz Pizarro Manso, a Embraer teve uma participação efetiva de US$ 640 milhões na balança comercial brasileira em 1999, quase o dobro da de 1998.
A expectativa do presidente da empresa, Maurício Botelho
é que a contribuição para a balança comercial seja de US$ 6 bilhões nos próximos cinco anos. "Deduzidas as importações líquidas de US$ 864 milhões e os subsídios concedidos por meio do Proex (Programa de Financiamento às Exportações), a contribuição líquida de caixa para a balança comercial brasileira foi de US$ 640 milhões", disse Pizarro Manso, durante teleconferência promovida pela Agência Estado e a Wittel.
Ele acrescentou que esse resultado foi superior aos US$ 364 milhões registrados em 1998, cifra decorrente da diferença entre os US$ 1,3 bilhão de exportações e os US$ 649 milhões de importações, além do volume de recursos do Proex. "É importante explicar que as importações feitas pela companhia correspondem sempre ao das exportações realizadas", disse Pizarro Manso.
O executivo acredita que este ano as exportações da companhia podem crescer entre 40% e 50%, proporção semelhante ao aumento da produtividade, que, em dezembro deverá chegar a 16 aviões por mês, acima dos 12 jatos fabricados em média no ano passado. "Embora esse crescimento não seja necessariamente linear, acredito que não estamos fora dessa realidade", explicou Pizarro Manso. No ano passado, a Embraer entregou 97 jatos da linha ERJ e mais 17 aviões leves, somando ao todo 124 unidades. A carteira de pedidos hoje está em US$ 18 bilhões, sendo US$ 6,367 bilhões em ofertas firmes.
Concorrência - Embora não tenha participado diretamente de uma recente concorrência, a Embraer perdeu para a canadense Bombardier um negócio de US$ 10 bilhões (US$ 2 bilhões em compras firmes e US$ 8 bilhões em opção de compras) com a norte-americana Delta Air Lines. A Bombardier assinou hoje cartas de intenção com a Comair e a Atlantic Southeast Airlines (ASA), da Delta, da qual recebeu encomendas firmes para a entrega de 94 aviões regionais das séries CRJ200 e CRJ700, numa transação estimada em mais de US$ 2 bilhões.
"Infelizmente não fomos felizes ao tentar demovê-los da opção pela Bombardier, disse Pizarro Manso ao explicar que as duas companhias regionais da Delta já são detentoras de mais de 50 jatos da Bombardier. "A negociação dos canadenses com a Delta foi direta e isso tornou difícil a nossa interferência", disse o executivo. A transação da Bombardier inclui opções de compra de até outros 406 jatos CRJ.
Investimentos - A Embraer vai investir R$ 2,5 bilhões nos próximos cinco anos. Parte desse recursos deve vir de captações externas, as quais já estão em estudo. Mas a maior fatia deve ficar por conta do caixa da própria companhia e da participação de seus parceiros estratégicos - as companhias francesas Aerospatiale-Matra, Dassault Aviation, Snecma e Thomson-CSF.
Pizarro Manso disse também que o custo da dívida, que é de US$ 380 milhões, tem apresentado uma queda significativa, justamente pela confiança do mercado externo nos resultados, desempenho e credibilidade da Embraer. De acordo com o executivo
esse custo caiu de 3,89% (lybor), em 1997, para 2,15% no ano passado.


