Lucro da CSN tem queda de 28,5%
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2000
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 29 (AE) - A desvalorização do real foi a principal responsável pela queda de 28,5% no lucro da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que tem 92% de suas dívidas em moeda estrangeira, sobretudo dólar. O lucro caiu de R$ 464,4 milhões em 1998 para R$ 331,9 milhões no ano passado. A empresa também sofreu impacto das restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos. Apesar do ambiente desfavorável, a companhia bateu recorde de vendas e obteve a maior margem de geração de caixa do setor siderúrgico no mundo: 39,2% sobre a receita líquida. O segundo lugar é da Usiminas, com 35%.
A CSN fechou o ano com R$ 1,1 bilhão em caixa, medido pelo EBITDA (lucros antes dos juros, impostos, amortizações e depreciações). O montante é 28,5% maior do que os R$ 857 milhões do ano anterior. Em relação a 1995, quando o EBITDA da empresa fechou em R$ 625 milhões, o salto é de 76%. A recuperação do real no final do ano, de 6,9%, impediu que a CSN tivesse uma queda maior no lucro. No terceiro trimestre a companhia havia registrado prejuízo de R$ 131,7 milhões, mas conseguiu um lucro de R$ 278,8 milhões entre outubro e dezembro. Em 1999, segundo a CSN, a desvalorização totalizou 48%. Com isso, o lucro em dólares caiu de US$ 384 milhões, em 1998, para US$ 185 milhões.
Para os empregados, que recebem participação nos lucros e acionistas, a queda no lucro não fará diferença. O pagamento de juros sobre capital próprio, uma espécie de distribuição de dividendos, será praticamento igual ao de 1998, explicou Maria Silvia. A medida será possível porque a CSN reavaliou para cima o valor de seus ativos e incorporou esta diferença ao valor destinado aos juros sobre capital próprio. O pagamento destes juros chegará a R$ 242,8 milhões, R$ 3,38 por lote de mil ações.
O caixa apurado será suficiente para pagar as despesas financeiras, cobrir investimentos e ainda ficar com saldo, informou a diretora-presidente da CSN, Maria Silvia Bastos Marques. Os investimentos, de R$ 876,2 milhões no ano passado, chegarão a R$ 1 bilhão este ano. Além da preparação da reforma, em 2001, da laminadora de tiras a quente e do alto forno 3, a empresa investirá nas suas participações. Mas Maria Silvia já avisou que não pretende comprar o lote de ações vinculadas ao acordo de acionistas da Light, que a BNDESPar venderá. Se houver uma boa oferta, a CSN pode até se desfazer de sua participação na Light.
Não será necessário um endividamento maior da CSN, apesar de a empresa ainda estudar o refinanciamento de algumas dívidas de captação no mercado. A dívida líquida cresceu em reais, de R$ 2,2 bilhões para R$ 3,1 bilhões. Mas, em dólares, o montante caiu de US$ 1,8 bilhão para US$ 1,7 bilhão.
A CSN vendeu 4,545 milhões de toneladas no ano, 11,8% a mais do que em 1998. A receita líquida cresceu 15,8%, R$ 2,807 bilhões, mesmo com o pouco nível de exportação de laminados a quente para os Estados Unidos, que implantaram medidas antidumping. As exportações foram retomadas em fevereiro, em um sistema de cotas e preço mínimo. A CSN, que vendia 200 mil toneladas por ano para o país, terá uma cota de 110 mil a 130 mil, pelo preço mínimo de US$ 327 por tonelada. Mas a economia brasileira está em recuperação, por isso deve tomar mercado das exportações. A CSN vendeu 35% da produção a outros países, e a fatia deve cair para 25% este ano.


