Atlanta, 15 (AE-AP) - A Coca-Cola, maior fabricante mundial de refrigerantes, anunciou nesta quinta-feira (15) uma queda de 21% nos lucros do segundo trimestre do ano, que passaram para US$ 942 milhões, ou US$ 0,38 por ação. A redução foi diretamente relacionada à retirada dos seus produtos do mercado belga e outros países europeus por causa de problemas sanitários.
Segundo a direção da empresa, além da retirada dos produtos, que reduziu drasticamente as vendas, o dólar forte e os demais problemas econômicos da região prejudicaram os ganhos. No mesmo período do ano passado, os lucros chegaram a US$ 1,19 bilhão ou US$ 0,48 por ação. "A Coca-Cola está trabalhando para recuperar a confiança dos clientes e consumidores e continuamos otimistas quanto ao nosso futuro na Europa", disse Douglas Ivester, presidente da empresa.
Segundo analistas, a companhia subestimou o impacto que o problema europeu poderia ter. Quando os 40 estudantes belgas foram intoxicados pela bebida, cerca de 17 milhões de unidades foram retiradas de circulação. Os gastos com a operação, segundo a empresa, foram calculados em US$ 60 milhões. Analistas dizem que o custo foi de US$ 103 milhões, ou maior, já que também foram retirados produtos da Polônia, além do custo de veiculação de campanhas publicitárias para recuperação da imagem. A empresa também anunciou que daria bebidas gratuitas aos habitantes belgas.
Apesar de tudo, a Coca-Cola tem seguro contra intoxicação, o que pode livrá-la de perdas maiores no resto do ano. Esses recursos podem cobrir as perdas do próximo trimestre.
Para os próximos três meses, a empresa estimou uma queda de 6% ou 7% das vendas na região, um volume que não será recuperado facilmente. Por esse motivo, os analistas estão constantemente revendo suas previsões de lucro da empresa.
Os resultados do segundo trimestre foram compatíveis com as previsões dos analistas norte-americanos, o que não assegura vendas melhores nos próximos meses. Segundo a Coca-Cola, as vendas também caíram no Oriente Médio e ásia.
A empresa atribuiu a redução de vendas a uma queda de 9% no consumo chinês, depois que a embaixada do país foi bombardeada em Belgrado, durante um confito entre a Aliança Atlântica e a Iugoslávia. As vendas menores seriam reflexo de uma represália dos consumidores chineses, já que nenhum outro produto é mais visto como sinônimo dos Estados Unidos como a Coca-Cola.

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