A Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Ribeirão Preto (319 km de São Paulo) apreendeu ontem de madrugada 148 micropontos de LSD que eram vendidos via Internet, a rede mundial de computadores.
O LSD é um ácido lisérgico que tem efeitos semelhantes aos das plantas alucinógenas. Foi a primeira apreensão da droga feita pela polícia em cidades da região.
Segundo o Denarc (Departamento de Narcóticos) de São Paulo, a apreensão em Ribeirão Preto foi a segunda maior do interior e a terceira maior do Estado na história.
Para conseguir acesso à página que oferecia a droga, segundo informou a polícia de Ribeirão Preto, os usuários eram obrigados a digitar a senha ‘‘legalize jᒒ. O endereço da home page não foi divulgado. A Dise vai tentar junto à Justiça que a página saia do ar.
De acordo com a polícia, a droga estava com Rafael Luís de Souza, 20 anos, que é proprietário de uma oficina mecânica, e com o escriturário Gilberto Inácio de Faria.
Em depoimento à polícia, no final da tarde de ontem, eles negaram que traficavam a droga e afirmaram apenas que eram usuários de LSD. Com Souza, a polícia informou ter encontrado 139 pontos de LSD em uma loja de revenda de peças de motos, na rua Olavo Bilac, no centro de Ribeirão. ‘‘A droga estava escondida dentro de uma capa de CD’’, afirmou o delegado da Dise, Gino Sant’Anna.
O restante da droga - nove micropontos - estava com o escriturário, que foi preso vendendo o ácido em um bar na avenida do Café, também segundo a polícia.
A polícia de Ribeirão Preto desconfia que Souza comprava a droga via Internet de Miami (EUA) e recebia o ácido pelo correio. Em seguida, ainda de acordo com a polícia, o LSD era distribuído em cidades da região pelos dois acusados, que utilizavam uma moto.
O delegado afirmou que Souza recebia os pedidos também pela Internet. Junto com o acusado, a Dise apreendeu uma agenda com nomes de pelo menos 30 pessoas que utilizavam o computador para adquirir a droga. ‘‘Vamos investigar todas essas pessoas’’, afirmou.
Cada microponto de LSD era comercializado, segundo a polícia, por cerca de R$ 25,00. A droga está avaliada em cerca de R$ 4 mil. Os investigadores da Dise conseguiram apreender a droga por meio de uma denúncia anônima. ‘‘Investigamos durante três meses’’, disse o delegado da Dise.
No dia da prisão, o delegado afirmou que a polícia ficou em frente ao bar das 17 às 21 horas. Ele disse que um dos investigadores da Dise se passou por usuário. ‘‘Ele chegou até Faria e disse que queria comprar a droga. Quando Faria estava entregando o LSD a ele, nós o prendemos’’, disse Sant’Anna. A polícia não conseguiu prender no bar, onde Faria estava vendendo a droga, nenhum comprador. Também foram apreendidos um telefone celular, várias contas de telefone e um computador. ‘‘Um especialista vai analisar o equipamento’’, informou o delegado.
O LSD era comercializado em forma de um selo colorido que é ingerido pelo usuário. De acordo com a farmacêutica da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Denise Zucari Bissacot, o efeito pode durar até 12 horas.

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