LSD vendido via Internet é apreendido
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Luciana Martins Agência Folha 
A Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) de Ribeirão Preto (319 km de São Paulo) apreendeu ontem de madrugada 148 micropontos de LSD que eram vendidos via Internet, a rede mundial de computadores.
O LSD é um ácido lisérgico que tem efeitos semelhantes aos das plantas alucinógenas. Foi a primeira apreensão da droga feita pela polícia em cidades da região.
Segundo o Denarc (Departamento de Narcóticos) de São Paulo, a apreensão em Ribeirão Preto foi a segunda maior do interior e a terceira maior do Estado na história.
Para conseguir acesso à página que oferecia a droga, segundo informou a polícia de Ribeirão Preto, os usuários eram obrigados a digitar a senha legalize já. O endereço da home page não foi divulgado. A Dise vai tentar junto à Justiça que a página saia do ar.
De acordo com a polícia, a droga estava com Rafael Luís de Souza, 20 anos, que é proprietário de uma oficina mecânica, e com o escriturário Gilberto Inácio de Faria.
Em depoimento à polícia, no final da tarde de ontem, eles negaram que traficavam a droga e afirmaram apenas que eram usuários de LSD. Com Souza, a polícia informou ter encontrado 139 pontos de LSD em uma loja de revenda de peças de motos, na rua Olavo Bilac, no centro de Ribeirão. A droga estava escondida dentro de uma capa de CD, afirmou o delegado da Dise, Gino SantAnna.
O restante da droga - nove micropontos - estava com o escriturário, que foi preso vendendo o ácido em um bar na avenida do Café, também segundo a polícia.
A polícia de Ribeirão Preto desconfia que Souza comprava a droga via Internet de Miami (EUA) e recebia o ácido pelo correio. Em seguida, ainda de acordo com a polícia, o LSD era distribuído em cidades da região pelos dois acusados, que utilizavam uma moto.
O delegado afirmou que Souza recebia os pedidos também pela Internet. Junto com o acusado, a Dise apreendeu uma agenda com nomes de pelo menos 30 pessoas que utilizavam o computador para adquirir a droga. Vamos investigar todas essas pessoas, afirmou.
Cada microponto de LSD era comercializado, segundo a polícia, por cerca de R$ 25,00. A droga está avaliada em cerca de R$ 4 mil. Os investigadores da Dise conseguiram apreender a droga por meio de uma denúncia anônima. Investigamos durante três meses, disse o delegado da Dise.
No dia da prisão, o delegado afirmou que a polícia ficou em frente ao bar das 17 às 21 horas. Ele disse que um dos investigadores da Dise se passou por usuário. Ele chegou até Faria e disse que queria comprar a droga. Quando Faria estava entregando o LSD a ele, nós o prendemos, disse SantAnna. A polícia não conseguiu prender no bar, onde Faria estava vendendo a droga, nenhum comprador. Também foram apreendidos um telefone celular, várias contas de telefone e um computador. Um especialista vai analisar o equipamento, informou o delegado.
O LSD era comercializado em forma de um selo colorido que é ingerido pelo usuário. De acordo com a farmacêutica da Unesp (Universidade Estadual Paulista), Denise Zucari Bissacot, o efeito pode durar até 12 horas.


