São Paulo, 05 (AE) - O economista Gustavo Loyola, sócio da Tendências Consultoria e ex-presidente do Banco Central, afirmou hoje que o novo presidente do BC é um "antipacoteiro". Loyola observa que a ida de Armínio Fraga para a presidência do BC é um indicador de que "não haverá pacotes, congelamentos, centralização cambial ou coisas do gênero". A escolha de Fraga é um indicador também de continuidade do Plano Real dentro dos paradigmas da liberalização cambial e comercial, reestruturação da economia brasileira e ausência de protecionismo.
Para Loyola, a indicação de Armínio Fraga para a presidência do BC indica que o governo deixou de lado a opção de centralização do câmbio e de "desenvolvimentismo a qualquer preço", proposta atribuída ao ministro da Saúde, José Serra. Houve uma aproximação com a manutenção do Plano Real, embora com aceleração inflacionária durante algum tempo e depois volta ao leito normal.
Segundo Loyola, a ida de Armínio Fraga para o Banco Central fortalece o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e aumenta a chance de sucesso na continuidade do Plano Real. O cenário é portanto de manutenção dos paradigmas do Plano Real. As chances que Loyola atribuía a cenários tipo Coréia eram de 16% e agora passaram a 35%. Loyola afirma que apesar das chances da volta da estabilização terem aumentado, ela é ainda de um terço. A probabilidade é ainda pequena, pois ainda não foram resolvidos alguns problemas, como a questão fiscal.
Para ele, o endividamento público cresceu após a desvalorização cambial. Para adotar processos de estabilização tipo Coréia é preciso que as taxas de juros tenham nível elevado
principalmente em período que a inflação também será alta. O objetivo é evitar taxas de juros reais negativas. A questão é que essa política no Brasil aumenta a desconfiança sobre a situação fiscal e "portanto é uma faca de dois gumes", afirma Loyola.
A segunda questão refere-se à rigidez fiscal. O pacote já votado no Congresso já foi ao limite no que se refere ao lado das receitas. O espaço de redução das despesas também é pequeno, afirma Loyola.
Ele acredita que a economia está convergindo para uma taxa de juros baixa no fim do ano. A inflação pode retornar a partir do segundo semestre ao mesmo nível de 1998. A taxa de câmbio deve se estabilizar entre R$ 1,70 e R$ 1,75.

mockup