Rio de Janeiro, 22 (AE) - Em depoimento de cinco horas à comissão que investiga as denúncias do ex-coordenador da Segurança Luiz Edurado Soares, o chefe da Polícia Civil, Rafik Louzada - um dos apontados de envolvimento com a chamada "banda podre" da corporação -, negou hoje as acusações de corrupção, autorizou a quebra do sigilo de suas contas bancárias e entregou ao procurador geral de Justiça do Estado, José Muiños Piñeiro Filho, cópias de suas declarações de renda dos últimos três anos.
Louzada entregou também à comissão uma lista com os nomes de cerca de 20 parentes próximos, que deverão ser investigados.
"Continuo chefe de Polícia enquanto o governador (Anthony Garotinho) confiar em mim", disse Louzada, ao deixar o prédio do Ministério Público do Estado, por volta das 21h30.
Depois, Piñeiro recebeu a imprensa para uma entrevista coletiva. Segundo ele, a comissão deverá cumprir a promessa de finalizar a investigação sobre Louzada em duas semanas.
"Não há dado concreto na alegação (feita por Soares) da eventual participação (do chefe de polícia) de uma franquia de lanchonetes e de ele ter sido beneficiário de uma eventual extorsão praticada por policiais, por isso seria um pré-julgamento recomendar alguma coisa ao governador antes do término das investigações", disse o procurador.
Não foi divulgada a íntegra do depoimento. Piñeiro contou apenas a parte autorizada por Louzada, referente às acusações de Soares. "Ele respondeu todas as perguntas feitas pela comissão, inclusive sobre outros policiais", disse o procurador.
Louzada distribuiu uma nota, em que diz que "algo de positivo ocorreu em face deste lamentável episódio: a oportunidade de o chefe da Polícia Civil provar sua dignidade em respeito ao cidadão do Estado do Rio". A comissão deverá ouvir depois de amanhã a ex-ouvidora do Estado Julita Lembruguer.

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