Lotéricas ignoram proibição e mantêm bolões
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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Eli Araujo <br> Reportagem Local 
Londrina - As casas lotéricas de Londrina continuam a oferecer bolões para os apostadores, exatamente um ano após a determinação da Caixa Econômica Federal que proibiu essa modalidade de aposta em todo o País. A constatação é da reportagem da Folha que esteve em quatro casas lotéricas no Centro da cidade e fez contatos por telefone com outras seis.
Todos estabelecimentos consultados tinham bolões à disposição, não apenas da megasena, que é o jogo mais procurado, mas também da quina e dupla sena, entre outros. Os preços das cotas variam entre R$ 6,00 a R$ 50,00, dependendo das combinações adotadas e da quantidade de participantes. Em uma das lotéricas a atendente informou que os bolões poderiam ser entregues na residência ou na empresa onde o apostador trabalha.
Os bolões são oferecidos a cada pessoa no momento em que ela faz a aposta normal ou paga alguma conta nas lotéricas. Em algumas, há cópias expostas onde o apostador pode olhar os jogos antes de se decidir ou não pela compra. Nos bolões feitos pelos estabelecimentos, as cartelas são impressas por elas próprias e o apostador não recebe o original do bilhete impresso no terminal de apostas.
As mesmas casas lotéricas que oferecem os bolões também colocam em lugar visível a recomendação da Caixa de que os bolões não têm validade legal. ''O comprovante emitido no terminal é o único documento que habilita o recebimento do prêmio'', diz o alerta.
A superintendência regional da Caixa Econômica Federal desconhece que os bolões continuam sendo realizados. ''Nós não temos conhecimento de unidades lotéricas que estejam fazendo novamente os bolões na forma que existiam e que não são autorizados pela Caixa'', disse o gerente regional de Canais, Rui Barone. Ele garante que serão tomadas ''as providências normativas'' previstas nos contratos com as casas lotéricas. As providências vão desde a advertência até a suspensão das atividades.
O presidente da Associação Nacional dos Lotéricos, Aldemar Mascarenhas, que é dono de uma lotérica em Londrina, também desconhece a desobediência das casas lotéricas. ''Sinceramente, não tenho conhecimento nem que sim e nem que não até porque existe a recomendação para que se evite bolões por haver uma restrição ao produto'', afirmou. Mascarenhas reconheceu, entretanto, que o bolão é uma relação de confiança entre a casa lotérica e o apostador. Segundo ele, é também muito difícil fiscalizar as atividades de 11.500 casas lotéricas em todo o País.
A proibição foi determinada depois que um grupo de 40 apostadores de Novo Hamburgo (RS) fez um bolão no valor de R$ 440,00, mas recebeu apenas um papel emitido pela lotérica e não o recibo do terminal. Naquele dia, os apostadores confiram os jogos e festejaram a conquista. O detalhe é que o cartão premiado não foi registrado no terminal da casa lotérica. A Caixa Econômica informou que não houve ganhador para o prêmio acumulado de R$ 53 milhões. O caso motivou a proibição dos bolões.


